Orquestra Filarmônica Ramacrisna troca a guitarra pelos acordes clássicos
Foto: Divulgação
Orquestra Filarmônica Ramacrisna troca a guitarra pelos acordes clássicos
Foto: Divulgação
A agressividade das guitarras distorcidas cede espaço para a precisão técnica dos arcos e cordas. O rock, gênero historicamente forjado na rebeldia elétrica, ganha uma nova roupagem acústica na capital mineira. No próximo dia 23 de junho, a Orquestra Filarmônica Ramacrisna, de Betim, ocupa o Conservatório da UFMG com o espetáculo "Rock Instrumental – Clássicos do Rock". A apresentação marca um ponto de intersecção entre a erudição da música de concerto e o apelo do cancioneiro popular. A entrada é gratuita.
Sob a regência do maestro Eliseu Barros, cerca de 40 músicos reinterpretam hinos que atravessaram gerações. O repertório funde a estética sinfônica ao peso original de bandas como Guns N' Roses, Engenheiros do Hawaii, Titãs e Legião Urbana. Barros assina os arranjos exclusivos da apresentação, que também incorpora vozes por meio da participação de solistas e de um quarteto vocal.
O palco do Conservatório, localizado na Avenida Afonso Pena, serve de moldura para a iniciativa. O espaço ressalta a intenção central do grupo: evidenciar que o formato sinfônico consegue dialogar diretamente com o público geral, longe de um perfil elitista.
O projeto carrega um peso social que transcende a execução técnica. Fundada em 2005, a Orquestra atua na formação artística de jovens em situação de vulnerabilidade em Vianópolis, na região de Betim. Para Solange Bottaro, vice-presidente do Instituto Ramacrisna, o acesso a esses espaços consolida o impacto do trabalho. "A música abre caminhos, amplia horizontes e cria oportunidades que impactam não apenas a formação artística, mas também o desenvolvimento pessoal", afirma.
A trajetória do grupo inclui passagens pelos principais palcos de Belo Horizonte, como o Palácio das Artes e o Cine Theatro Brasil. No histórico recente, a filarmônica dividiu os holofotes com Seu Jorge em uma apresentação beneficente. Nomes como Fernanda Takai, Lô Borges e Toninho Horta também já integraram concertos anteriores da orquestra, que mantém suas atividades por meio de leis de incentivo e patrocínios privados.