PATERNIDADE AUSENTE

Aborto paterno: escritora de Betim transforma abandonos sofridos em livro

No livro 'Desistir do Próprio Filho', Laryssa Gabrielle discute a ausência paterna e os impactos do abandono na vida de mães e filhos

Por Marcio Antunes


Publicado em 19 de agosto de 2026 | 18:36
 
 
Autora propõe o conceito de “aborto paterno” para definir a renúncia consciente de um homem à paternidade

Nascida e criada em Betim, a recém-formada em Direito Laryssa Gabrielle da Silva Ferreira Vitorino Melo transformou experiências pessoais em uma discussão sobre um tema que, segundo ela, ainda permanece cercado de silêncio: o abandono paterno. O resultado é o livro “Desistir do Próprio Filho: A Violência do Aborto Paterno”.

Na obra, a autora propõe o conceito de “aborto paterno” para definir a renúncia consciente de um homem à paternidade e ao vínculo de cuidado e responsabilidade com o filho. O termo não se refere à interrupção biológica da gestação, mas ao rompimento da relação, antes ou depois do nascimento.

A inspiração para o livro está diretamente ligada à trajetória de Laryssa, que também é mãe solo. A filha tem quatro anos e completa cinco em outubro. Segundo a autora, o pai da menina desapareceu quando soube da gravidez e se recusou a oferecer qualquer tipo de apoio. “No momento em que eu falei que estava grávida ele sumiu! Se recusando a qualquer tipo de apoio. Recentemente apareceu, mas sumiu novamente”, relata.

A experiência se soma a uma história familiar. Laryssa conta que, aos 16 anos, seu próprio pai rompeu o vínculo com ela.

Com abordagem que reúne Direito de Família, psicologia, psicanálise e sociologia, o livro discute o abandono afetivo, os impactos emocionais na criança e a sobrecarga enfrentada pelas mães que criam os filhos sozinhas. A autora também questiona a tolerância social e institucional à ausência paterna. “Eu senti isso na pele: o pai da minha filha escolheu sumir quando engravidei e, se não fosse pelo apoio da minha mãe, eu teria enfrentado tudo sozinha”, afirma.

Para Laryssa, escrever foi uma forma de dar nome ao silêncio e transformar a própria experiência em reflexão. “Escrever esse livro é a minha forma de dar nome a esse silêncio, criticar essa estrutura que sobrecarrega as mulheres e contar a minha história para que outras não se sintam sozinhas”, diz.

Atualmente, a autora cursa pós-graduação e desenvolve um novo livro. A obra “Desistir do Próprio Filho: A Violência do Aborto Paterno” está disponível para compra no site da Editora Dialética, por R$ 77,90, e na Amazon, por R$ 107,90 na versão física e R$ 54,53 na digital.