
O que começou como uma viagem esportiva terminou em uma história de superação que poderia ter acabado em tragédia. O atleta de karatê Filipe Edson, 38 anos, de Betim, passou uma noite inteira perdido em meio à neve na região de Chamonix-Mont-Blanc, na França, após uma trilha até o Mer de Glace — a maior geleira do país. Sozinho, mal equipado para o frio e com o celular sem bateria, ele enfrentou horas de risco até conseguir retornar em segurança.
Filipe, que também é personal trainer, estava na Europa para disputar o Campeonato Mundial de Karatê WKA 2026, realizado em Malta, entre os dias 25 e 29 de março. Na competição, conquistou medalha de prata no kumite por equipe e bronze no kumite individual, além de participar da categoria kata. Após o torneio, decidiu aproveitar a viagem para conhecer outros destinos, passando pela Itália e, em seguida, pela França.
Já em Chamonix, no início de abril, o atleta decidiu fazer a trilha até o Mer de Glace enquanto aguardava o horário de check-in no hotel. “É uma trilha de uns 10 km. Lá entardecer é por volta das nove da noite e eram umas 16h. Fiz a trilha e, na hora de voltar, já em cima, percebi que o teleférico estava fechado e que o único jeito de voltar era caminhando. Como estou acostumado, decidi arriscar”, contou.
O retorno, no entanto, se transformou em um desafio extremo. Com trechos de neve, inclinações acentuadas e já sem luz natural, Filipe ficou completamente no escuro após o celular descarregar. “Eu só enxergava neve, tentava avançar, mas era perigoso demais”, relatou. Durante o percurso, ele caiu em um buraco, escorregou diversas vezes e chegou a se segurar em um tronco à beira de um precipício para evitar uma queda ainda mais grave.
Sem conseguir retornar, ele passou a madrugada tentando se manter aquecido em meio à neve, com roupas inadequadas para as baixas temperaturas. “Eu estava com quatro blusas e mesmo assim sentia muito frio. Me aquecia esfregando as mãos, fazendo massagens, pulos e agachamentos para manter o corpo ativo”, disse. Filipe encontrou dois pontos de abrigo improvisados na mata, onde tentou se proteger do frio intenso, com sensação térmica próxima de 0°C.
Com o amanhecer, o atleta retomou a busca pela trilha e, após cerca de três horas, conseguiu encontrar o caminho de volta. “Eu estava longe de casa e não tinha avisado ninguém que faria a trilha. Cheguei a pensar que poderia morrer ali. Mas, pelo preparo físico e controle emocional, consegui sair dessa situação”, afirmou.
De volta ao hotel, ele descansou após a noite de tensão. Hoje, já em Betim, Filipe encara a experiência como uma história de superação: “Eu quase achei que ia morrer. Mas graças a Deus deu tudo certo e posso contar essa história para inspirar mais pessoas”, completou.