
O que começou com pequenos grupos de caminhada e corrida entre amigas durante a pandemia se transformou em um dos maiores coletivos femininos de corrida de rua de Betim. Criado entre 2021 na região do Jardim Teresópolis, o Guerreiras Runners reúne atualmente cerca de 170 participantes ativas e segue atraindo novas adeptas para a prática esportiva.
Os treinos acontecem principalmente aos sábados e domingos no Riacho das Areias, entre as regiões do Teresópolis e do Imbiruçu, e são abertos para qualquer pessoa interessada em começar a correr ou melhorar o desempenho na modalidade.
A idealizadora do grupo, a profissional de educação física Luci Neide Neves, conta que a iniciativa surgiu de forma espontânea após o fechamento das academias durante a pandemia de Covid-19. Segundo ela, alunos e moradores da região passaram a se interessar pelas corridas que eram compartilhadas nas redes sociais, dando origem aos primeiros encontros do grupo. “O pessoal começou a se interessar, a perguntar como começar e a correr junto. Aos poucos fomos formando grupos e o Guerreiras Runners nasceu desse movimento”, explica.
Entre as participantes, histórias como a da costureira Gilselia Lima Vera ajudam a ilustrar o impacto do coletivo na vida das mulheres. Ela conta que iniciou a prática em 2019, a partir de um incentivo de uma amiga, com treinos improvisados no terraço de casa. “Em plena pandemia, através de uma amiga, começamos a treinar provisoriamente no terraço da casa dela, de segunda a quinta”, lembra.
O início, no entanto, foi marcado por um momento delicado de saúde. Gilselia relata que recebeu orientação médica para mudar hábitos após exames apontarem risco elevado. “Levei vários exames e a médica me alertou que eu precisava me cuidar. Eu estava com 93 quilos, colesterol muito alto e em um estado de depressão profunda. Ela disse que eu precisava me movimentar, procurar uma atividade física, mesmo dentro de casa, porque era uma questão de saúde”, conta.
Ela destaca ainda que o diagnóstico do filho, que havia recebido laudo de autismo, também impactou emocionalmente sua rotina naquele período. “A corrida melhorou meu bem-estar físico e mental”, afirma.
Além dos benefícios físicos, especialistas destacam que a corrida pode trazer impactos positivos para diversos aspectos da saúde. Segundo o nutricionista esportivo e estudante de medicina André Brito, muitas pessoas iniciam a atividade física em busca do emagrecimento, mas acabam encontrando melhorias que vão muito além da perda de peso.
“A prática regular de exercícios contribui para a melhora da autoestima, da qualidade do sono, dos níveis de glicose e colesterol, além de ajudar no controle da ansiedade e do estresse”, destaca.
Ainda de acordo com o especialista, o segredo para resultados duradouros está na constância e não em estratégias radicais. “A transformação mais importante muitas vezes não acontece na balança, mas na saúde e na forma como a pessoa passa a se relacionar consigo mesma”, afirma.
O grupo está se preparando para correr nos próximos três domingos. Em breve, o coletivo deve marcar o próximo treino aberto e convida as interessadas a acompanharem as próximas datas pelo Instagram do grupo.