TECNOLOGIA

Férias, telas e culpa: será que estamos discutindo a pergunta errada?

Durante as férias, talvez a pergunta mais importante não seja quanto tempo as crianças passam nas telas, mas o que elas fazem enquanto estão conectadas

Por Inovação e marketing

Publicado em 18 de julho de 2026 | 16:08

 
 
A tecnologia pode aproximar quando é usada com intenção A tecnologia pode aproximar quando é usada com intenção Foto: Divulgação
Inovação e marketing
Colunista de Opinião
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Estou escrevendo este texto olhando pela janela.

Minha filha está no quintal. Ela corre atrás do cachorro, dá risada, mostra um brinquedo e, de vez em quando, para para olhar a tela do celular.

Do outro lado da videochamada, uma amiga faz exatamente a mesma coisa. Cada uma está na sua casa, mas as duas encontraram um jeito de brincar juntas durante as férias.

Enquanto uma mostra a boneca, a outra apresenta uma nova aventura para o cachorro. Elas riem, conversam, inventam histórias.

E eu fiquei pensando…

Se eu olhasse apenas para a tela, diria que minha filha passou a tarde no celular.

Mas, olhando a cena inteira, vejo uma criança brincando, se conectando e mantendo uma amizade viva, mesmo à distância.

Talvez seja esse o problema da discussão sobre tempo de tela.

Estamos medindo horas, quando deveríamos estar observando experiências.

As férias chegaram e, com elas, um desafio conhecido por muitas famílias.

As crianças têm mais tempo livre, enquanto muitos pais continuam trabalhando.

E a culpa aparece.

“Será que meu filho está tempo demais no celular?”

Talvez essa nem seja a pergunta mais importante.

Os especialistas vêm defendendo uma mudança de perspectiva: mais importante do que contar minutos é entender como a tecnologia está sendo usada.

Passar uma hora criando um mundo no Minecraft é diferente de passar uma hora consumindo vídeos sem parar.

Conversar com uma amiga por videochamada não é o mesmo que navegar sozinho pelas redes sociais.

Nem toda tela é igual.

A economia da atenção nunca foi tão agressiva

As plataformas disputam cada segundo da nossa atenção, e da atenção das crianças.

Os vídeos são planejados para que o próximo pareça ainda mais interessante.

Por isso, ensinar uma criança a fazer escolhas conscientes talvez seja mais importante do que simplesmente proibir o acesso.

A inteligência artificial também chegou às férias

Hoje já existem aplicativos que contam histórias personalizadas, tutores inteligentes, jogos que adaptam o nível de dificuldade ao aprendizado da criança e ferramentas que estimulam criatividade, idiomas e programação.

A tecnologia deixou de ser apenas entretenimento.

Ela também pode ser uma aliada da aprendizagem.

O maior risco talvez não seja o excesso de tela

Talvez seja o excesso de passividade.

Queremos formar crianças que apenas consumam conteúdo?

Ou crianças capazes de criar, experimentar, imaginar e resolver problemas usando a tecnologia como ferramenta?

Essa talvez seja a diferença mais importante.

Os pais também estão aprendendo

Nenhuma geração recebeu um manual para educar filhos em um mundo onde a inteligência artificial conversa, ensina, desenha e cria histórias.

Estamos aprendendo enquanto o mundo muda.

E isso exige menos culpa e mais diálogo.

O futuro não será sem telas

Será com pessoas que saibam quando usá, las e, principalmente, para quê.

Enquanto escrevo este texto, minha filha continua no quintal.

Ela ainda está na videochamada.

Ainda está correndo.

Ainda está rindo.

A tela não substituiu a infância.

Ela apenas encurtou a distância entre duas amigas que queriam brincar nas férias.

Talvez seja esse o olhar que precisamos desenvolver.

A tecnologia pode afastar.

Mas também pode aproximar.

Tudo depende da forma como escolhemos usá, la.

Desafio da Semana

Hoje, antes de perguntar quanto tempo seu filho passou na tela, experimente fazer uma pergunta diferente:

“O que você fez enquanto estava nela?”

Talvez a resposta revele uma descoberta, uma amizade fortalecida, uma habilidade desenvolvida ou uma história criada.

E isso diz muito mais do que o relógio.

Dica da Semana

As férias acabam em poucas semanas.

Mas a forma como nossos filhos aprenderão a se relacionar com a tecnologia os acompanhará por toda a vida.

Nosso papel talvez não seja apenas limitar o acesso às telas.

Seja ensinar a usá, las com intenção, criatividade, equilíbrio e pensamento crítico.

Porque, no fim das contas, a tecnologia continuará evoluindo.

O que fará a diferença será a forma como escolhemos conviver com ela.