HORA DA DECISÃO

A propaganda chegou ao ChatGPT. E agora?

A publicidade chega a um novo território: o espaço entre a dúvida do consumidor e a decisão de compra; desde o dia 1, o ChatGPT passou a exibir anúncios no país

Por Inovação e marketing

Publicado em 19 de agosto de 2026 | 21:13

 
 
Novo lugar é ocupado depois das redes sociais, do Google e da TV Novo lugar é ocupado depois das redes sociais, do Google e da TV Foto: Imagem gerada a partir de IA
Inovação e marketing
Colunista de Opinião
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Depois da TV, do Google e das redes sociais, a publicidade encontrou um lugar ainda mais valioso: o momento em que estamos tentando decidir.

Durante décadas, a propaganda tentou descobrir onde estava a nossa atenção: primeiro, encontrou a televisão; depois, o Google.

Em seguida, Instagram, YouTube, TikTok e praticamente qualquer lugar onde passamos alguns minutos olhando para uma tela.

Agora ela encontrou um lugar diferente: a nossa conversa com a inteligência artificial.

Desde 11 de agosto, o ChatGPT passou a exibir anúncios também no Brasil. E talvez essa seja uma das mudanças mais importantes do marketing neste ano. Não porque inventaram mais um lugar para colocar propaganda. Mas porque, desta vez, ela chegou muito perto da decisão.

Imagine que você pergunte:

- “Qual celular devo comprar para minha mãe?”

- “Que hotel você escolheria para viajar com duas crianças?”

- “Qual computador vale mais a pena para minha empresa?”

Você não está apenas navegando. Está pedindo ajuda para decidir. E é justamente aí que a publicidade acaba de chegar.

A propaganda passou cem anos procurando onde estava a nossa atenção. Agora ela descobriu onde estão as nossas dúvidas. Isso muda o jogo.

No Google, anunciantes disputaram nossas buscas. Nas redes sociais, disputaram nossos interesses. Na inteligência artificial, poderão disputar algo ainda mais valioso: o contexto.

Mas existe uma fronteira importante. Anúncio não é recomendação. A OpenAI afirma que os anúncios são identificados como patrocinados e aparecem separados das respostas. Também diz que anunciantes não influenciam o que o ChatGPT responde e não têm acesso às nossas conversas.

Essa separação talvez seja a parte mais importante dessa história. Uma coisa é uma empresa pagar para aparecer. Outra, completamente diferente, é uma inteligência artificial recomendar aquela empresa porque a considera uma boa resposta. E aí nasce uma nova disputa para as marcas.

Durante anos perguntamos: “Como aparecer primeiro no Google?”. Depois:“Como aparecer no feed?”. Agora, talvez a pergunta mais importante seja: “Como ser lembrado quando alguém pedir uma indicação à IA?”.

E dinheiro sozinho não resolve isso.

Ser encontrado, compreendido e citado organicamente pelas inteligências artificiais passa por reputação, conteúdo, avaliações, presença em fontes confiáveis e consistência digital.

A publicidade pode comprar espaço. Reputação ainda precisa ser construída.

Talvez estejamos assistindo ao nascimento de uma nova mídia. Ainda é cedo para saber seu tamanho. Mas uma coisa já mudou: a publicidade deixou de disputar apenas aquilo que vemos. Agora começou a disputar o momento em que decidimos.

Desafio da Semana

Faça uma pergunta que seus clientes fariam ao ChatGPT: 

“Quais são as melhores empresas de [seu segmento] na minha cidade?”

Sua empresa apareceu?

Se não apareceu, a pergunta mais interessante não é: “Por que a IA não me indicou?”. É: “O que a internet sabe sobre mim para ter motivos pra me indicar?”.

Dica da Semana

Se você quer aumentar suas chances de ser encontrado e considerado pelas IAs, comece pelo básico: tenha um posicionamento claro, produza conteúdo útil, mantenha site, Google e redes atualizadas, conquiste avaliações reais, apareça em fontes confiáveis e faça clientes reais falarem sobre sua marca.

Porque existe uma diferença enorme entre pagar para aparecer e ser escolhido como resposta. E o marketing dos próximos anos provavelmente terá que aprender a fazer os dois.