Nova diretriz dos Estados Unidos reforça o que já se recomenda há muito tempo: a preferência por alimentos mais in natura e minimamennte processados
Foto: Divulgação
Nova diretriz dos Estados Unidos reforça o que já se recomenda há muito tempo: a preferência por alimentos mais in natura e minimamennte processados
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Recentemente, os Estados Unidos atualizaram seu Guia Alimentar, documento que orienta políticas públicas, escolas e profissionais de saúde. A mensagem central é clara e, curiosamente, simples: voltar a comer comida de verdade.
O novo guia reforça algo que a ciência nutricional já vem mostrando há anos - dietas baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados estão associadas a melhor saúde metabólica, menor inflamação e redução do risco de doenças crônicas como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.
Um ponto de destaque é a valorização da proteína. Diferentemente de versões antigas, agora há maior ênfase em consumir proteína de qualidade em todas as refeições, buscando uma meta de ingestão diária de 1,6 g/kg dia de proteína, reconhecendo seu papel na preservação da massa muscular, no controle da glicemia, da saciedade e do envelhecimento saudável.
Outro avanço importante é a posição mais firme em relação ao açúcar adicionado. O guia afirma que não há quantidade considerada realmente segura e recomenda evitar ao máximo bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados — principais responsáveis pelo consumo excessivo.
As gorduras também foram reavaliadas. O documento reforça o uso de gorduras boas, como azeite, nozes, sementes e abacate, mantendo apenas a recomendação de moderação das gorduras saturadas. Ou seja, o problema não é a gordura natural dos alimentos, mas o excesso de produtos industriais.
O consumo de álcool deixa de ter limites “aceitáveis” e passa a ser desencorajado de forma mais direta: quanto menos, melhor para a saúde. A água volta a ser a principal bebida recomendada.
Como médica clínica e pós-graduada em nutrologia, vejo esse movimento com bons olhos. O novo guia não traz fórmulas milagrosas, mas reafirma algo essencial: menos indústria, mais cozinha; menos rótulos, mais alimentos de verdade, descasque mais e desembale menos. Uma mudança simples no papel, mas profunda quando aplicada no prato - e na saúde.
Ana Maria Reimer
CRM 48892/RQE 36289