FRAGILIZAÇÃO DA MEDICINA

Enamed e a banalização da formação médica

Médica especialista em clínica médica e pós-graduada em nutrologia, doutora Ana Maria Reimer diz receber com preocupação resultados do Enamed 2025

Por Ana Maria Reimer

Publicado em 26 de janeiro de 2026 | 21:16

 
 
Dados de 2025 mostram que uma parcela significativa dos cursos avaliados não atingiu o desempenho mínimo esperado para a formação de um médico generalista competente Dados de 2025 mostram que uma parcela significativa dos cursos avaliados não atingiu o desempenho mínimo esperado para a formação de um médico generalista competente Foto: Chat GPT

O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 escancarou algo que muitos profissionais já percebiam na prática: a formação médica no Brasil vem sofrendo um processo de fragilização progressiva.

A abertura acelerada e pouco criteriosa de faculdades de medicina nos últimos anos criou uma ilusão perigosa — a de que aumentar o número de médicos resolveria, por si só, os problemas da saúde no país. Os dados do Enamed mostram o oposto: uma parcela significativa dos cursos avaliados não atingiu desempenho mínimo esperado para a formação de um médico generalista competente.

Formar médicos sem estrutura suficiente, hospitais de ensino, corpo docente experiente e com pouca prática clínica não promove a democratização da saúde. Ao contrário, coloca em risco a população, sobrecarrega o sistema e contribui para a desvalorização da própria medicina.

Quantidade não substitui qualidade. Medicina exige rigor científico, formação sólida, ética e responsabilidade social. Proteger a qualidade do ensino médico não é corporativismo — é um compromisso com a segurança do paciente e com o futuro da saúde no Brasil.

Ana Maria Reimer
CRM 48892/RQE 36289