PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR

Infarto em adultos jovens: um alerta que não pode mais ser ignorado

Fenômeno reflete mudanças no estilo de vida, negligência com fatores de risco (veja os principais abaixo) e a falsa sensação de invulnerabilidade típica da juventude

Por Ana Maria Reimer

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 | 20:05

 
 
Adultos jovens, abaixo dos 45 anos, estão infartando cada vez mais; cenário preocupante é evidenciado pela prática clínica e pelos dados epidemiológicos, afirma médica Ana Maria Reimer Adultos jovens, abaixo dos 45 anos, estão infartando cada vez mais; cenário preocupante é evidenciado pela prática clínica e pelos dados epidemiológicos, afirma médica Ana Maria Reimer Foto: Chat GPT

Por muito tempo, o infarto agudo do miocárdio foi visto como um evento quase exclusivo de pessoas mais velhas. No entanto, a prática clínica e os dados epidemiológicos mostram um cenário diferente — e preocupante: adultos jovens, abaixo dos 45 anos, estão infartando cada vez mais.

Esse fenômeno não é fruto do acaso. Ele reflete mudanças no estilo de vida, negligência com fatores de risco e a falsa sensação de invulnerabilidade típica da juventude.

Entre os principais fatores de risco estão as dislipidemias não diagnosticadas, muitas vezes de origem genética, o tabagismo — incluindo o uso crescente de cigarros eletrônicos —, o sedentarismo, a obesidade abdominal e a resistência à insulina, condições que promovem inflamação crônica e aceleram o processo de aterosclerose (formação de placas de gordura e calcificação nas artérias).

Outro fator frequentemente subestimado é o estresse crônico associado à privação de sono, realidade comum entre jovens profissionais. Altos níveis de cortisol, noites maldormidas e jornadas exaustivas impactam diretamente a pressão arterial, a glicemia e o risco cardiovascular.

O uso de drogas ilícitas, como cocaína e anfetaminas, também merece destaque. Essas substâncias podem provocar vasoespasmo coronariano, arritmias e infarto, mesmo na ausência de placas significativas nas artérias.

No entanto, um fator que tem ganhado proporções alarmantes é o uso de esteroides anabolizantes. Muito além da estética, essas substâncias estão associadas a:

 • Aumento do LDL e redução do HDL
 • Elevação da pressão arterial
 • Espessamento do músculo cardíaco
 • Aumento do risco trombótico
 • Arritmias e morte súbita

É um erro perigoso acreditar que idade jovem ou boa forma física oferecem proteção cardiovascular quando há uso dessas drogas.

A hipertensão arterial no jovem, muitas vezes silenciosa e não reconhecida, e o histórico familiar de doença cardiovascular precoce completam esse cenário de risco que, quando somado, pode levar a eventos graves de forma precoce.

A mensagem é clara: infarto não é mais uma exclusividade da terceira idade. Prevenção cardiovascular deve começar cedo, com rastreamento adequado, mudança de hábitos e conscientização. Cuidar do coração é um investimento que se faz ainda jovem — e cujos benefícios duram a vida inteira.