Adultos jovens, abaixo dos 45 anos, estão infartando cada vez mais; cenário preocupante é evidenciado pela prática clínica e pelos dados epidemiológicos, afirma médica Ana Maria Reimer
Foto: Chat GPT
Adultos jovens, abaixo dos 45 anos, estão infartando cada vez mais; cenário preocupante é evidenciado pela prática clínica e pelos dados epidemiológicos, afirma médica Ana Maria Reimer
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Por muito tempo, o infarto agudo do miocárdio foi visto como um evento quase exclusivo de pessoas mais velhas. No entanto, a prática clínica e os dados epidemiológicos mostram um cenário diferente — e preocupante: adultos jovens, abaixo dos 45 anos, estão infartando cada vez mais.
Esse fenômeno não é fruto do acaso. Ele reflete mudanças no estilo de vida, negligência com fatores de risco e a falsa sensação de invulnerabilidade típica da juventude.
Entre os principais fatores de risco estão as dislipidemias não diagnosticadas, muitas vezes de origem genética, o tabagismo — incluindo o uso crescente de cigarros eletrônicos —, o sedentarismo, a obesidade abdominal e a resistência à insulina, condições que promovem inflamação crônica e aceleram o processo de aterosclerose (formação de placas de gordura e calcificação nas artérias).
Outro fator frequentemente subestimado é o estresse crônico associado à privação de sono, realidade comum entre jovens profissionais. Altos níveis de cortisol, noites maldormidas e jornadas exaustivas impactam diretamente a pressão arterial, a glicemia e o risco cardiovascular.
O uso de drogas ilícitas, como cocaína e anfetaminas, também merece destaque. Essas substâncias podem provocar vasoespasmo coronariano, arritmias e infarto, mesmo na ausência de placas significativas nas artérias.
No entanto, um fator que tem ganhado proporções alarmantes é o uso de esteroides anabolizantes. Muito além da estética, essas substâncias estão associadas a:
• Aumento do LDL e redução do HDL
• Elevação da pressão arterial
• Espessamento do músculo cardíaco
• Aumento do risco trombótico
• Arritmias e morte súbita
É um erro perigoso acreditar que idade jovem ou boa forma física oferecem proteção cardiovascular quando há uso dessas drogas.
A hipertensão arterial no jovem, muitas vezes silenciosa e não reconhecida, e o histórico familiar de doença cardiovascular precoce completam esse cenário de risco que, quando somado, pode levar a eventos graves de forma precoce.
A mensagem é clara: infarto não é mais uma exclusividade da terceira idade. Prevenção cardiovascular deve começar cedo, com rastreamento adequado, mudança de hábitos e conscientização. Cuidar do coração é um investimento que se faz ainda jovem — e cujos benefícios duram a vida inteira.