Dar um diagnóstico grave está entre os momentos que mais revelam a dimensão humana da profissão de médico
Foto: Imagem gerada a partir de IA
Dar um diagnóstico grave está entre os momentos que mais revelam a dimensão humana da profissão de médico
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Um dos maiores 'calos no meu sapato', enquanto médica, é ter que dar um diagnóstico grave aos meus pacientes.
Mas, por já ter vivido na pele alguns milagres e presenciado tantos outros entre familiares e pacientes, sinto-me guiada por Deus nesses momentos. Na maioria das vezes, as palavras simplesmente surgem, e consigo oferecer o acolhimento de que aquele paciente precisa diante de tanta insegurança.
Não se trata de dar falsas esperanças diante do diagnóstico de um câncer avançado. Trata-se de lidar com o paciente com humanidade, de não lhe retirar a esperança e, principalmente, de não abreviar ainda mais os seus dias ao fazê-lo acreditar que não há mais motivos para lutar.
Como médica cristã e católica, tenho a convicção de que a última palavra não vem da medicina, mas, sim, do Autor da vida: Deus.
Se você, colega médico, não se sente preparado para dizer ao seu paciente que ele tem um câncer, não o faça. Encaminhe-o ao oncologista, profissional preparado para conduzir esse momento tão delicado.
Mas, se decidir ser o porta-voz desse diagnóstico, tenha empatia, humanidade e amor. Acima de tudo, coloque-se no lugar do seu paciente.
Só quem já esteve do outro lado sabe o medo, a insegurança e o desespero que podem tomar conta do coração quando, de repente, nos vemos como protagonistas de uma história que jamais imaginamos viver.
A medicina exige conhecimento, técnica, estudo e atualização constante. Mas existem momentos em que tudo isso precisa caminhar ao lado de algo que nenhum livro é capaz de ensinar por completo: a humanidade.
Como nos lembra uma frase frequentemente atribuída Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas, ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”