ACOLHIMENTO

Quando a medicina encontra a esperança

Entre a responsabilidade de dizer a verdade e o desejo de acolher, comunicar um diagnóstico grave é um dos maiores desafios da prática médica

Por Ana Maria Reimer


Publicado em 17 de agosto de 2026 | 19:30
 
 
Dar um diagnóstico grave está entre os momentos que mais revelam a dimensão humana da profissão de médico

Um dos maiores 'calos no meu sapato', enquanto médica, é ter que dar um diagnóstico grave aos meus pacientes.

Mas, por já ter vivido na pele alguns milagres e presenciado tantos outros entre familiares e pacientes, sinto-me guiada por Deus nesses momentos. Na maioria das vezes, as palavras simplesmente surgem, e consigo oferecer o acolhimento de que aquele paciente precisa diante de tanta insegurança.

Não se trata de dar falsas esperanças diante do diagnóstico de um câncer avançado. Trata-se de lidar com o paciente com humanidade, de não lhe retirar a esperança e, principalmente, de não abreviar ainda mais os seus dias ao fazê-lo acreditar que não há mais motivos para lutar.

Como médica cristã e católica, tenho a convicção de que a última palavra não vem da medicina, mas, sim, do Autor da vida: Deus.

Se você, colega médico, não se sente preparado para dizer ao seu paciente que ele tem um câncer, não o faça. Encaminhe-o ao oncologista, profissional preparado para conduzir esse momento tão delicado.

Mas, se decidir ser o porta-voz desse diagnóstico, tenha empatia, humanidade e amor. Acima de tudo, coloque-se no lugar do seu paciente.

Só quem já esteve do outro lado sabe o medo, a insegurança e o desespero que podem tomar conta do coração quando, de repente, nos vemos como protagonistas de uma história que jamais imaginamos viver.

A medicina exige conhecimento, técnica, estudo e atualização constante. Mas existem momentos em que tudo isso precisa caminhar ao lado de algo que nenhum livro é capaz de ensinar por completo: a humanidade.

Como nos lembra uma frase frequentemente atribuída Carl Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas, ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”