GERAÇÃO Z

O que muda para quem contrata a geração que não quer emprego formal?

Dados de uma pesquisa da Fiesp apontam que mais de 60% dos jovens no país preferem trabalhar remotamente ou com horário flexível, algo raro no regime CLT

Por Shirlei Miranda


Publicado em 24 de abril de 2026 | 21:36
 
 
De acordo com pesquisa, geração Z prefere a instabilidade dos freelancers e do empreendedorismo a continuar submetida ao tradicional regime celetista

A maior parte da antiga geração tinha o mesmo projeto de vida: conquistar um emprego fixo, garantir estabilidade, crescer na empresa e só sair com a aposentadoria.

Diante disso, as empresas se moldaram a esse perfil de trabalhador, adequando as estruturas dos seus cargos e, principalmente, adotando o “tão sonhado” regime celetista, que segue as regras da CLT.

Mas os anos foram passando, e um novo público começou a ingressar no mercado de trabalho, formado por pessoas que nasceram entre 1995 e 2010, a famosa geração Z.

Diferentemente dos seus avós e dos seus pais, esses trabalhadores rejeitam a CLT como projeto de vida. A estabilidade e os horários fixos de trabalho deixaram de ser um objetivo e passaram a ser justamente as características menos desejadas em uma vaga de emprego.

Pelo menos é isso que aponta uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com base em dados do Datafolha: mais de 60% dos jovens preferem trabalhar remotamente ou com horários flexíveis, algo raro no regime tradicional. Além disso, quase metade dos que estão atualmente empregados pretende mudar de área ou tipo de vínculo. 

A pesquisa ainda aponta que a escala 6x1 tem sido encarada como "prisão" por esses jovens trabalhadores, não como uma garantia, como antes era vista.

Alguns motivos que levam esse novo perfil a rejeitar o regime celetista são:

  • Salários baixos
  • Falta de flexibilidade
  • Subordinação
  • Falta de propósito no trabalho
  • Horas fixas
  • Ambientes tóxicos
  • Desenvolvimento limitado
  • Reconhecimento escasso
  • Cultura organizacional ultrapassada

Inclusive, esses jovens trabalhadores preferem a instabilidade dos freelancers, do empreendedorismo e da informalidade a continuar submetidos ao tradicional regime de trabalho.

Sinceramente? Acho isso fantástico!

Afinal, foi justamente esse anseio por liberdade, autonomia, busca por propósito e melhor qualidade de vida que me fez buscar o empreendedorismo — e esses também devem ter sido os seus motivos.

O problema é que as empresas ainda precisam de colaboradores para funcionarem e entregarem os serviços oferecidos. E esses jovens profissionais possuem conhecimento atualizado e afinidade com a inovação tecnológica que sua empresa tanto procura.

Sem falar que a nova geração é bastante criativa, pois busca justamente pensar "fora da caixa" e se desvincular dos padrões tradicionalmente impostos.

Ou seja, são talentos necessários para o desenvolvimento e a modernização do negócio que precisam ser retidos.

Para isso, as empresas devem se readaptar.

Para conseguir conquistar e reter os trabalhadores de 23 anos anos, você precisa abandonar a mentalidade de empreendedorismo construída há mais de dez anos. Deixe de lado aquele antigo perfil de trabalhador e comece a focar o novo público.

Isso significa investir em:

  • Jornadas de trabalho mais flexíveis
  • Melhores salários e benefícios
  • Ambientes modernos
  • Liderança próxima e empática
  • Feedbacks construtivos e contínuos
  • Reconhecimento dos colaboradores
  • Cuidado com saúde mental
  • Propósito claro

Quem entender essa geração primeiro ganha vantagem. Quem resistir perde o mercado de talentos.

De que lado você pretende estar?