EMPREENDER

A síndrome da mulher "boazinha" custa caro nos negócios

Como o medo de desagradar pode dificultar decisões, negociações e a valorização do próprio trabalho

Por Shirlei Miranda


Publicado em 29 de agosto de 2026 | 14:47
 
 
Entre agradar todo mundo e valorizar o próprio trabalho, escolha a segunda opção

Toda mulher já ouviu alguém dizer que ela precisava “ser boazinha”. Algumas vezes, essa frase vinha em tom de “conselho”, outras como censura, mas no fundo todas tinham o mesmo significado: não responder, não contrariar e não incomodar.

Sabe o que é pior? Isso nos é ensinado desde cedo, por nossas mães, avós, tias e até professoras.

“Seja boazinha e deixe ele brincar com seus brinquedos”, mesmo que isso significasse ficar sem poder se divertir, ou “Seja boazinha e vá ajudar sua tia”, ainda que você esteja fazendo algo importante naquele momento.

O problema é que esse "comando" fica tão enraizado na mente das mulheres que acaba surgindo também quando aquela pequena garota decide se tornar empreendedora. E, nos negócios, ser boazinha pode se transformar em:

— A empreendedora que sente vergonha de cobrar um orçamento.

— A profissional que aceita fazer "só mais um ajuste" sem cobrar por isso.

— A empresária que adia um aumento de preço por medo de perder clientes.

— A dona do negócio que evita conversas difíceis para não parecer rígida.

Nada disso nasce da falta de competência, mas do receio de ser vista como difícil, gananciosa ou antipática. Ou seja, o oposto de "boazinha".

O curioso é que essas características raramente são atribuídas aos homens quando eles negociam, defendem seus interesses ou falam com firmeza sobre dinheiro. Neles, isso costuma ser chamado de liderança. Nas mulheres, ainda existe o risco de ser confundido com arrogância. Esse é um peso invisível que muitas empreendedoras carregam.

Só que um negócio não cresce apenas com dedicação, mas com decisões. E as mais importantes exigem justamente aquilo que a síndrome da mulher boazinha tenta evitar: impor limites, negociar contratos, cobrar pelo próprio trabalho e reconhecer o valor do que se entrega.

Calma, não estou falando que você não pode ser educada! Esse não é o problema! A questão aqui é acreditar que educação significa aceitar tudo, sem jamais impor e defender os seus próprios limites e interesses.

Precisamos entender que existe uma enorme diferença entre ser gentil e ser "boazinha", isto é, querer agradar todo mundo e acabar desagradando a pessoa mais importante do negócio: você mesma.

Ao invés de continuar "sendo boazinha", comece a ser justa.

Justa com os clientes, oferecendo um trabalho de qualidade. Justa com os parceiros, cumprindo o que promete. E, principalmente, justa consigo mesma, valorizando o tempo, a experiência e a dedicação que investe todos os dias no próprio negócio.

No fim, mulheres constroem empresas fortes quando aprendem que dizer "não", negociar com segurança e cobrar o preço justo não diminuem sua gentileza.