O desafio da educação humana: iluminar o caminho interno e moldar o ser para um mundo complexo e consciente
Foto: Divulgação/Pixabay
O desafio da educação humana: iluminar o caminho interno e moldar o ser para um mundo complexo e consciente
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A literatura antiga descreve como conturbada a relação entre filhos homens e pais; já bem mais amena e cordial é aquela entre mãe e filhos, e melhor ainda com as filhas.
Os laços com a mãe iniciam-se como fisiológicos. O filho é um desdobramento do corpo da mãe e, com a matéria, acaba em parte se transferindo a alma. O pai não participou, não viveu da criação física do ser humano, emprestou apenas uma semente que fecunda o óvulo. O sangue, o leite, os cuidados fundamentais vêm da mãe. Em determinadas espécies animais, o pai, depois da inseminação, desaparece. Também não existe casamento, apenas união nesse momento. Raras são as espécies em que o pai tem participação no crescimento do filho. A família é uma instituição humana, uma invenção relativamente recente.
Já na gravidez a mãe desencadeia um crescimento de laços que se ampliam com o óvulo inseminado, crescendo para uma entidade que acaba num adulto em potencial, um ser excepcional.
Nessa relação de trilhões de células vivas, de detalhes infinitesimais, de empréstimos e trocas incontáveis se dá o ser humano. Na expansão se realizam laços amorosos e sensações marcantes, tanto físicas como espirituais. Mãe é um ente diferente do pai; a função natural da mulher é conservadora, pois gera dentro de si. O homem, por natureza, é uma força criadora externa, é um doador em potencial.
Nas circunstâncias da vida a mãe compreende o filho de forma sentimental: a ele deu um coração, e pela via do coração ela continua ligada a ele imperecivelmente. São inúmeros os casos descritos em que a mãe reage à distância à morte de um filho ou, ainda, num grave acidente, uma sensação ruim, às vezes a mesma dor, se abate simultaneamente sobre ela, no mesmo instante.
Numa troca amorosa o homem perde energias, e a mulher as ganha. Tem uma imensa inteligência natural atrás disso.
Em várias espécies o pai serve apenas para dar o sêmen; em seguida, a mãe fecundada se recolhe até se afastar para cuidar da gestação e da formação da sua prole até o início da idade adulta.
Os pais em muitas raças se tornam ameaças e, se deixados, suprimem as crias, especialmente os machos, pois se tornam ameaças futuras. Para a manutenção da espécie, são necessárias muitas mulheres e poucos machos. O macho tem que ser forte, esperto, guerreiro, naturalmente um conquistador. O ser humano que não for educado pode se tornar pior que um animal.
O animal, ao nascer, vem dotado de suas regras naturais, sem ensino, para alcançar num breve período a maturidade. O homem tem que construir suas condições. Terá que ser forçado a andar de pé, a estudar, a ler, a se relacionar com um mundo complexo e voltado aos desfrutes da matéria e dos outros seres.
O desafio de uma boa educação é humano. Qualquer menino criado num ambiente culturalmente avançado se transformará num ser avançado, e o contrário também se torna cruelmente verdadeiro. E a sociedade precisa ter isso como desafio prioritário.
É preciso evitar que a vida adulta se torne uma espécie de “iniciação” da criança em tudo aquilo que há de mais degradante: limitações impostas sem sentido, medos cultivados, brutalidade, perversões, repressões, desvios éticos, corrupção, vulgaridade e os vícios de adultos já corroídos.
A criança não nasce criminosa, torna-se preparada para o crime. Este é um grave entrave do nosso “mundo”, inicialmente pelo abandono de exemplos, em seguida pela “educação ao crime”.
Se na selva existe uma equanimidade, no mundo civilizado tudo depende de decisões comunitárias de alto nível. Com a política contaminada por interesses e a comunidade ofuscada por uma educação ainda “bárbara” nas ruas, e de baixo nível nas escolas, bem pouco se pode esperar.
Separar o joio do trigo não é fácil. A democracia é simulacro de suposta justiça social, explorada exatamente pelos mais corruptos e criminosos, infiltrados despudoradamente em todos os níveis das instituições apodrecidas.
A eleição seria um momento de avanços, mas se tornou uma oportunidade remota. Como acreditar na escolha que realizará um povo frustrado, sem educação, sem apreço às regras da convivência?