OPINIÃO

Explosão demográfica

A certeza apenas a Deus pertence, mas o idoso, no final, se aproxima de Deus e dEle ganha um pouco daquilo que sempre sonhou

Por Vittorio Medioli

Publicado em 31 de maio de 2026 | 17:03

 
 
Ao idoso, por sua vez, são concedidas as virtudes provenientes da experiência, a visão profunda, a intuição Ao idoso, por sua vez, são concedidas as virtudes provenientes da experiência, a visão profunda, a intuição Foto: Pixabay/Divulgação
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Quando nasci, na década de 1950, na Terra se contavam cerca de 2,5 bilhões de seres humanos. Atualmente, a ONU calcula estarem povoando nosso planeta 8,29 bilhões. Desse total, 10%, ou 830 milhões, são idosos, com idade acima de 65 anos. Quando se investiga o contingente acima de 75 anos, a resposta da IA diz que a vida média da humanidade é de 73,5 anos, com as mulheres conseguindo uma expectativa de cinco anos a mais que a dos homens.

Os idosos de sexo masculino representam menos de 40% dessa faixa etária, vivendo, em média, 70-71 anos, e as mulheres, 76-77.
Desses 830 milhões de idosos, cerca de 330 milhões são homens e 500 milhões são mulheres. Tentando entender quantos deles passaram de 75, não há uma estatística precisa. As informações mais confiáveis sugerem que de 15% a 20% dos idosos do mundo ultrapassam os 75 anos, sendo 35-40 milhões de homens e 50-55 milhões de mulheres. Apenas 1% dos seres humanos tiveram a oportunidade de viver e aprender por mais de sete décadas. Desse total, quem manteve funções ativas e lucidez plenas são poucos, mas abençoados. Viveram e aprenderam o que muitas vezes é complicado de transmitir. O silêncio acompanha a sabedoria.

Podemos afirmar que a humanidade é relativamente jovem e que a população mais idosa se concentra na Europa e América do Norte, onde os cuidados sanitários e alimentares garantem uma melhor qualidade de vida e longevidade.

A participação de idosos é sempre proporcional à qualidade de vida; onde há idosos a qualidade é melhor, provavelmente porque, para chegar a certa idade, passar por tantas situações, é preciso desenvolver habilidades e resistência. Os idosos, muitos largados em asilos ou abandonados, efetivamente tiveram mais oportunidades de ver e aprender como as estações da vida agem e marcam a personalidade.

No continente asiático contam-se 4,65 bilhões de pessoas, 56% da humanidade. A África é o segundo continente no ranking, com 1,35 bilhão de seres humanos, 16% da humanidade. Os dois continentes abrigam 72% do total. 

A questão demográfica mostra que, nos últimos 75 anos, aos 2,5 bilhões de seres humanos se juntaram mais 5,5 bilhões. Num período tão curto, menos de um século, mais que triplicamos. 
São, assim, relativamente poucos os idosos, aqueles que tiveram oportunidade de viver e aprender, e ainda mais escassos são aqueles que preservaram a saúde e lucidez, além de uma vida ativa. Como um dos membros dessa parcela com fôlego para gastar horas no fim de semana para escrever, vejo que minha escrita pode não ser mais atraente do que há 20 anos; meus textos se alongam porque minha visão se torna a cada dia mais ampla, como o horizonte que abrange.

Ter vivido e aprendido por tanto tempo tem seu peso, ampliou meu arquivo com capacidade ainda de processá-lo. Certamente não se enxerga atrás das paredes, apenas se notam com clareza mais detalhes, piscar dos olhos, pequenas rugas, brilhos e opacidades, repressões e alegrias. 

É permitido deduzir com mais confiabilidade onde a corda vai arrebentar. Isso porque já se viu ao longo dos muitos anos vividos situações parecidas, aprendeu-se que nada fica escondido o tempo todo, que o tempo é inexorável. A certeza apenas a Deus pertence, mas o idoso, no final, se aproxima de Deus e dEle ganha um pouco daquilo que sempre sonhou.

Nas antigas cidades gregas a última instância decisória era dada ao conselho dos idosos, e isso deu origem ao senado, instância senil dos homens.

Ao jovem são dadas a força, a energia, a resistência física, a coragem de movimentar o mundo; ao idoso, por sua vez, são concedidas as virtudes provenientes da experiência, a visão profunda, a intuição, o silêncio para aceitar vitórias e derrotas como parte de ciclos que necessitam das duas.

A vida passa, as circunstâncias se repetem, pois a humanidade de hoje, apesar das aparências extraordinariamente diferentes, continua a mesma. Os princípios e as regras não mudaram. Bem por isso a parte idosa, mais que em asilos, deveria ser aproveitada com mais frequência para orientar escolhas .

O mundo seria melhor.