Atualmente, são raros os candidatos realmente qualificados que se listam numa disputa de cargos eletivos.
Os períodos de campanha, com suas propagandas, apresentam figuras que depõem indisfarçadamente contra a seriedade do pleito. Quase todos estão cientes de não ter aptidões (inclusive éticas) para uma função de grande importância pública e não poder, assim, contribuir para o bem da comunidade. O que os move é um cálculo confuso e predominantemente egoísta.
Contudo, tentam, como se fosse uma loteria. A sorte premiada pode vir do cargo bem-remunerado, de verbas indenizatórias, de auxílios, de nomeação de apaniguados, diretas ou cruzadas, e da barganha inconfessável.
Além de não terem conhecimento e preparo, alguns costumam sair de naufrágios estrondosos. Mesmo assim, lutam para conseguir o cargo como forma de escalar uma situação de destaque social, amparada por privilégios.
O sistema eleitoral atual – um horror que concede aos partidos fundos bilionários para aliciar figuras obscuras e arregimentá-las em listas de apoio – apenas serve para desequilibrar os pleitos e conceder possibilidades de eleição para alguns, decorrentes dos ingentes repasses financeiros, decididos “democraticamente” pelos próprios interessados. Pior: recursos que faltam para finalidades sérias e até para salvar vidas.
É um sistema pseudodemocrático, condenável, que um dia deixará a posteridade convencida da esqualidez de hoje. Sistema que serve a vitimizar o próprio eleitor, a condenar o país a uma baixa qualidade de seus governos, desfigurados pela incompetência e corrupção, responsáveis, assim, pelo atraso social, educacional e desenvolvimentista. Exaltam-se a esperteza e a safadeza, rainhas das disputas.
Trata-se do mesmo sistema que gerou décadas perdidas para o Brasil e condenou grande parcela de sua população à miséria, que, para um país privilegiado e de amplos recursos, se torna um pecado imperdoável.
Para concorrer a um cargo eletivo, é suficiente saber ler e escrever, até para presidente da República. Contraria-se o critério da seleção, que é necessária para exercer uma profissão pública ou privada, ou até para padrinho de batismo. Se não se permite que alguém sem formação exerça a profissão de médico, em política adota-se o oposto: tudo é admitido. Deixa-se a porta aberta ao azar.
Dessa forma, quem paga a conta é a população ingênua, desprevenida e covardemente traída.
Num cenário tão tumultuado, impróprio ao emergir do “melhor” e do “bem”, o mal e o pior dominam a cena. Outro fenômeno faz realmente dos nossos tempos um “Kali Yuga” (época do vício e do mal) da política brasileira.
Entre tantas deformações, chegaram desabridas e atrevidas figuras de uma nova geração acelerada, sem freio na pedaleira, que sonham em ocupar, sem a maturidade dos anos e um cabedal de experiências, cargos que sempre foram de pessoas forjadas pela vida.
O que se pode esperar? O mal, os erros fazem indiretamente reconhecer a importância do bem para dar valor à prudência, às virtudes, às estações do ano e da vida.
Que Deus nos guarde neste momento.