SEGURANÇA E DIREITOS

Audiência pública sobre população em situação de rua debate cenário atual de Betim

Comerciantes e profissionais da assistência social falam sobre desafios enfrentados

Por Iêva Tatiana


Publicado em 25 de março de 2026 | 23:11
 
 
Audiência pública foi realizada no plenário da sede do Legislativo betinense

O coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Rafael Roberto, participou de uma audiência pública realizada pela Câmara Municipal de Betim, na noite desta quarta-feira (25/3), para debater o aumento do número de pessoas vivendo nessas condições no município, bem como maneiras de garantir segurança e direitos. 

Rafael viveu nas ruas por aproximadamente 13 anos, após a morte da mãe, episódio que desestruturou toda a família, segundo ele. Na tribuna da sede do Legislativo betinense, ele relembrou sua própria experiência e chamou a atenção para a generalização acerca das razões que levam alguém a ficar sem teto. "A população de rua não é um problema. O problema é não haver uma política integrada, intersetorial para esse público. Muitas vezes, temos que entender a realidade de cada indivíduo para podermos trabalhar em cima dela. São vários fatores que levam uma pessoa a viver em situação de rua. Em muitos casos, o álcool e a droga são consequências de outros fatores", ressalta. "Acolhida e escuta são fundamentais para que a gente possa entender essa realidade para que, juntos, possamos buscar soluções concretas. Não é um processo de higienização, de tirar da rua ou encaminhar para uma comunidade terapêutica, é trabalhar com a pessoa. Quanto mais tempo ela fica na rua, mais cria raízes, costumes e rotina. O difícil não é tirar a pessoa da rua, mas tirar a rua da pessoa", emenda.

A comerciante Vania Sobreira representou colegas do segmento que atuam na rua do Rosário, na região Central da cidade, e enfatizou as dificuldades que vêm enfrentando. "Hoje, em Betim, vários comerciantes estão fechando as portas porque não estão dando conta de trabalhar. A cada dia, temos várias pessoas na rua. Primeiramente, temos que identificar quem são essas pessoas: estão em situação de rua ou estão em trânsito? O fato é que nós estamos tendo problemas e precisamos acionar políticas públicas para que realmente façam alguma coisa e nos ajudem", pontuou.

Representante da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), a assessora jurídica da pasta e vice-presidente do Conselho Municipal de Assistência Social, Fernanda Vieira, destacou o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo município para atender a população em situação de rua. "A Semas atua em rede com a saúde, a segurança pública e a Ecos. Temos oferta de diversos serviços para essa população por meio de um trabalho integrado para não somente tirar as pessoas da rua, como tratá-las para que não voltem para essa situação", disse Fernanda.

A audiência pública foi requerida pelo vereador Professor Alexandre Xeréu (PL). Segundo o parlamentar, a principal questão a ser debatida, hoje, é a da segurança pública. "Não é o fato de serem 'moradores de rua', mas temos vários que são criminosos de rua, que cometem furtos e roubos, fazem atos hostis contra famílias, impedem pessoas de entrar em faculdades, bancos, agências lotéricas. Enfim, os comerciantes estão reclamando de pessoas em situação de rua que estão entrando nos estabelecimentos e agredindo as pessoas. Já tivemos um caso na praça do Encontro em que uma briga entre eles terminou em assassinato. As pessoas estão ficando com medo de percorrer espaços públicos", ponderou o vereador.

Apesar do debate acalorado em alguns momentos, a audiência pública terminou sem encaminhamentos.

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