OPERAÇÕES DE CRÉDITO

Câmara de Betim aprova pacote de empréstimos pelo Executivo municipal que somam R$ 200 milhões

Um dos projetos autoriza o financiamento de R$ 150 milhões para a execução do programa chamado ‘Cidade Inteligente’; PLs foram aprovados em regime de urgência

Por Daniele Marzano


Publicado em 26 de março de 2026 | 14:30
 
 
Projetos foram aprovados na sessão ordinária realizada na última terça (24/3)


A Câmara Municipal de Betim aprovou, na última sessão ordinária, nesta semana, três projetos de lei enviados pelo Poder Executivo que autorizam a contratação de empréstimos junto a instituições financeiras. Somados, os financiamentos chegam a R$ 200 milhões.  

O principal dos projetos, o de número 056/26, prevê a contratação de R$ 150 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para viabilizar o programa chamado “Cidade Inteligente”. 

De acordo com o texto da proposta, a iniciativa é estruturada em nove eixos voltados para a tecnologia e para a inovação e busca promover “avanços consistentes na gestão pública, na segurança e na mobilidade urbana”, além de incluir ações para as áreas da educação e do meio ambiente. 

O projeto inclui a implantação de um centro integrado de comando e controle, com sistemas unificados de segurança, trânsito e Defesa Civil para o monitoramento de incidentes e o emprego de respostas rápidas. Ainda segundo a proposta enviada ao Legislativo, o espaço será dotado de recursos tecnológicos avançados, como o Data Lake, voltado para o armazenamento de grandes volumes de dados; o Business Intelligence (BI), que transformará dados em informações estratégicas por meio de relatórios e painéis visuais; e os geradores de workf low , que organizam e automatizam fluxos de trabalho. 

Na área de segurança, o projeto prevê a implantação de videomonitoramento e o uso de tecnologias de leitura automática de placas de veículos.  

Na mobilidade urbana, também de acordo com o texto, estão previstas medidas como a modernização do sistema semafórico, a adoção de planos de tráfego e a priorização de veículos essenciais, como ônibus e ambulâncias.  

Ainda nessa área, está prevista a criação de um Centro de Controle de Tráfego (CTT), integrado ao já existente Centro Integrado de Operações (COP), implantado pelo ex-prefeito Vittorio Medioli (PL). A central reúne representantes de oito órgãos de segurança pública: Guardas Municipal e Patrimonial, Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, Polícias Civil e Militar, Defesa Civil, Empresa de Construções, Obras, Serviços, Projetos, Transportes e Trânsito (Ecos) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo a proposta da atual administração, o CTT reforçará a capacidade de monitoramento e coordenação das operações, apoiado por câmeras e sensores. “De forma complementar, a integração com plataformas digitais colaborativas, como o aplicativo Waze, permitirá que informações sobre incidentes, tais como buracos. alagamentos, quedas de árvores ou interdições, sejam incorporadas às ações municipais, garantindo respostas rápidas e eficazes”, diz o texto. 

Segundo o projeto, também estão previstas ações voltadas para a Defesa Civil, com monitoramento hidrológico e meteorológico e emissão de alertas. A estratégia inclui pIanos digitais de contingência, definição de rotas seguras e indicação de abrigos. 

O texto inclui a implantação de sistemas digitais para gestão de obras e serviços urbanos, uso de drones em vistorias e a criação de uma base geoespacial integrada. 

Reconhecimento facial 

Um dos pontos que chamam atenção no texto é a previsão da implementação de ferramentas para controle de acesso e segurança nas escolas como o Skill Face, que, na realidade, já existe em todas as unidades com ensino fundamental. São 68 no total. 

O projeto que trata da Cidade Inteligente recebeu 18 votos favoráveis e nenhum contrário. Não estavam presentes os vereadores Claudinho (PSB), Dudu Braga (PV), Layon Silva (PL) e Toninho da Farmácia (PL). O presidente da Casa, Léo Contador (Cidadania), não vota. 

Outras operações de crédito

Um segundo projeto aprovado pelos vereadores nesta semana, o de número 061/26, autoriza a contratação de um empréstimo de R$ 30 milhões junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), destinado a, segundo texto do projeto enviado aos vereadores, a implantação do sistema de “georreferenciamento e modernização do cadastro multifinalitário”, que promete organizar informações territoriais e imobiliárias da cidade por meio da criação de uma base cartográfica digital integrada.  O projeto recebeu 19 votos favoráveis e um contrário, do vereador Layon Silva (PL). Estavam ausentes Claudinho (PSB) e Dudu Braga (PV).

Por fim, um terceiro projeto, o de número 055/26, prevê a contratação de R$ 20 milhões junto à Caixa Econômica Federal. O texto diz apenas que os recursos serão destinados “à aplicação na modalidade educação”. Assim como o 056/26, esse projeto recebeu 18 votos favoráveis e nenhum contrário. Estavam ausentes os vereadores Claudinho (PSB), Dudu Braga (PV), Layon Silva (PL) e Toninho da Farmácia (PL).    

As três propostas foram encaminhadas pelo Executivo com pedido de tramitação em regime de urgência. 

Sem retorno

A reportagem procurou a prefeitura solicitando mais informações acerca dos projetos, sobretudo o de maior valor, como prazos de execução, cronograma das ações e impacto no orçamento, mas, até o fechamento desta matéria, não houve retorno.