MOBILIDADE

Governo de Minas contrata estudos para nova linha de metrô que vai ligar Contagem a Betim

Estado assinou termo com Banco Interamericano de Desenvolvimento para desenvolver projetos de linhas 3 (Savassi-Lagoinha) e 4 (Contagem-Betim)

Por Leticya Bernadete

Publicado em 09 de março de 2026 | 15:56

 
 
Metrô de BH completa 40 anos aguardando cumprimento de promessas de expansão
Metrô de BH completa 40 anos aguardando cumprimento de promessas de expansão Foto: Frederico Teixeira / O TEMPO

O governo de Minas pretende aprofundar os estudos para ampliar o metrô de Belo Horizonte, por meio da criação das linhas 3 e 4. Nesta segunda-feira (9/3), o Executivo assinou um Acordo de Cooperação Técnica com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para viabilizar projetos técnicos, definição de tecnologias e métodos construtivos e à elaboração do Termo de Referência completo da ampliação. O anúncio acontece a poucos dias do governador Romeu Zema (Novo) deixar a administração estadual para viabilizar a candidatura à Presidência da República em 2026.

De acordo com informações do governo de Minas, o projeto da Linha 3 do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte prevê 4,23 quilômetros de extensão, com seis estações, conectando a Savassi à Lagoinha. A previsão é que o investimento seja de R$ 4,8 bilhões e que a linha atenda cerca de 93 mil passageiros por dia até 2035.

Já a Linha 4 deve ter 22,6 quilômetros de extensão e ligará Contagem ao Terminal Betim, utilizando a faixa ferroviária e a Avenida Marco Túlio Isaac. O projeto inclui 18 estações e um terminal, integrando Trem Metropolitano e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Neste caso, o valor é estimado em R$ 4,5 bilhões e a expectativa é de funcionamento até 2045.

“Não fazer planos significa não executar, e infelizmente é isso que foi feito ao longo da história da mobilidade em Minas Gerais. A gente não teve projeto das grandes aplicações do Estado, nós tivemos que fazer os projetos nos últimos anos”, disse o vice-governador de Minas, Mateus Simões (PSD), negando que o anúncio trata-se de estratégia eleitoral, considerando que haverá pleito em outubro deste ano.

“Não tem estratégia de eleição porque isso nos indicaria a usar as obras que a gente já tem andamento, mas tem um compromisso com quem vem depois. Para a gente poder falar numa possível concessão desse trajeto ao longo dos próximos 5 anos, nós precisamos que esse projeto seja feito agora”, afirma Simões.

Ainda de acordo com o vice-governador, os municípios da região metropolitana devem ser envolvidos nas discussões para custeamento dos projetos de ampliação do metrô, em especial, no caso da linha 4, que envolve Belo Horizonte, Contagem e Betim. Já no caso da linha 3, Simões a considera a "mais rentável" em termos de volume de passageiros, mas por ser a primeira linha subterrânea que a região terá, poderá trazer novos desafios.

"O modelo de financiamento é parte da discussão que nós vamos fazer com o BID, como faz para ficar de pé essa estrutura, com qual volume de aporte seria necessário de dinheiro público. Se for necessário aporte de dinheiro público, nós vamos buscar nas mesmas fontes que a gente busca dinheiro para investimento em infraestrutura rodoviária."

O acordo com o BID prevê um aporte de R$ 500 mil, que será utilizado no âmbito do Pre-Request for Approval (PRA), para a contratação de consultores especializados responsáveis por avaliar e consolidar os estudos existentes das linhas. Conforme o governo de Minas, a conclusão dessa etapa servirá de base para a futura contratação do estudo de concessão dos novos trechos.

Projeto antigo

Em 2012, o então prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, havia iniciado estudos geológicos para viabilizar a linha 3. A ideia também era que o trecho ligasse a Savassi à Lagoinha, de forma subterrânea. Em conversa recente com O TEMPO, o ex-prefeito da capital disse que o projeto não caminhou em Brasília na época por divergências entre os partidos no comando de Belo Horizonte, do estado e do Brasil.

Conforme o governador Romeu Zema, os projetos que foram elaborados no passado podem ser reaproveitados no momento, mas levando em consideração as novas tecnologias e possíveis modificações para atender os regulamentos. Durante coletiva de imprensa, o chefe do Executivo ainda reforçou a necessidade de uma atuação conjunta entre as cidades da região metropolitana para tirar o projeto do papel.

“Há cerca de 25 anos, pelo que eu tenho conhecimento, por questões políticas ou por falta de cuidado, de critério, cada município passou a operar isoladamente aquilo que considerava ser o melhor para cada. E com isso, a região metropolitana perdeu muito”, diz Zema. “O Estado não quer patrocinar, tomar à frente. O Estado quer alertar da importância dos municípios trabalharem em conjunto, da importância desse condomínio operar e cooperar.”