APURAÇÃO

Comissão da Câmara que apura denúncias sobre Revisa notifica entidade e prefeitura

Ambas terão prazo de até 48 horas para enviar documentos solicitados; emendas individuais e de bancada destinaram à ONG cerca de R$ 4 milhões

Por Lisley Alvarenga

Publicado em 22 de maio de 2026 | 09:00

 
 
Comissão é presidida por Alexandre da Paz e tem como relator Ivanildo Petrovale Comissão é presidida por Alexandre da Paz e tem como relator Ivanildo Petrovale Foto: Brandon Santos

A comissão especial instaurada pela Câmara Municipal de Betim, na segunda-feira (18), para apurar denúncias envolvendo a destinação de quase R$ 4 milhões em emendas parlamentares à instituição social Revisa, deu início às oitivas para apurar o caso. 

Presidente da comissão, vereador Alexandre da Paz (MDB) explicou que a primeira medida tomada foi notificar entidade e prefeitura a fim de obter documentos considerados fundamentais para o avanço das investigações. Segundo ele, os ofícios foram expedidos nessa quinta-feira (21), e os notificados terão prazo de 48 horas para apresentar os documentos solicitados. 

“A Revisa foi intimada a apresentar toda a documentação referente às atividades realizadas por ela nos últimos anos, incluindo comprovantes de consultorias prestadas por uma consultoria particular. Também solicitamos planos de trabalho executados pela entidade em Betim nos últimos dois anos, além de atas e procurações relacionadas à instituição. Também notificamos a prefeitura para encaminhar a documentação que atesta a não operacionalidade da instituição”, afirmou o parlamentar à reportagem. 

Alexandre da Paz disse ainda que a comissão, formada pelo relator Ivanildo Petrovale (Cidadania), além de Claudinho (PSB), Dudu Braga (PV) e Ricardo Lana (PP), pretende aprofundar todas as frentes de investigação envolvendo o caso e garantiu que os trabalhos serão conduzidos com rigor técnico e respeito ao devido processo legal. “Vamos investigar a fundo todas as denúncias que chegaram até a Câmara e asseguraremos ampla defesa aos citados. A condução será imparcial, transparente e totalmente dentro da lei”, declarou.

Sobre a denúncia

As denúncias vieram à tona após questionamentos sobre o funcionamento da Revisa, entidade registrada com endereço no bairro Brasileia e que aparece como beneficiária de recursos destinados à saúde na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Os valores, estimados em quase R$ 4 milhões, teriam sido destinados à entidade por meio de emendas parlamentares impositivas e de bancada.

Nota oficial da Câmara

Após as denúncias, a Câmara divulgou nota oficial sobre o caso. No comunicado, a Casa informou que encaminhou o teor das denúncias à comissão especial e ressaltou que está colaborando com os órgãos de controle e fiscalização para a apuração dos fatos. O Legislativo destacou que a indicação das entidades beneficiadas por emendas parlamentares é de responsabilidade individual dos vereadores autores das destinações, cabendo à Câmara a tramitação administrativa dos recursos conforme os critérios legais. 

A nota oficial também confirma a abertura de procedimento administrativo para apurar informações relacionadas a uma ex-servidora mencionada nas denúncias. Segundo a Câmara, a situação funcional será analisada pelos setores competentes e, caso sejam identificadas irregularidades, poderão ser adotadas medidas legais cabíveis.

Caso está na mira do MP

O Ministério Público de Minas Gerais confirmou ao O TEMPO Betim que o caso está sob análise da 4ª Promotoria de Justiça de Betim, que tem à frente a promotora Maria Clara Azevedo. Em nota, o órgão declarou ainda que “o procedimento teve sigilo decretado”, razão pela qual detalhes da investigação não serão divulgados neste momento. 

Paralelamente às apurações conduzidas pela Câmara e pelo Ministério Público, a prefeitura publicou ofício informando que realizou diligência no endereço cadastrado pela entidade no bairro Brasileia. Segundo o município, equipes compareceram à rua Urucuia com o objetivo de localizar a instituição, mas não encontraram o imóvel de número 352 informado no cadastro da entidade, embora o CNPJ permaneça com situação ativa. 

De acordo com o documento, moradores da região afirmaram desconhecer qualquer empresa ou instituição com o nome Revisa naquela localidade. A prefeitura relatou ainda que a localização indicada pelo Google Maps direciona para endereço diferente do informado oficialmente, tratando-se de um imóvel residencial habitado.