
Tiago Santana (PCdoB) foi eleito presidente da Câmara para o biênio 2027-2028. Candidato de chapa única, ele recebeu 21 votos favoráveis e um contrário, do vereador Layon Silva (PL). Carlim Amigão (MDB) não participou da reunião para a realização da eleição, ocorrida na última sexta-feira (7/8), por causa de uma cirurgia.
Além de Tiago Santana, a mesa diretora eleita será composta por Alexandre da Paz (MDB), como 1º vice-presidente; Angela Maria (Republicanos), como 2ª vice-presidente; Ricardo Lana (PP), como 1º secretário; e Paulo Tekim (PL), como 2º secretário.
De acordo com o atual presidente da Casa, Leo Contador, (União), a Câmara iniciará agora o processo de transição entre a atual e a futura mesa diretora. Para isso, será instituído, por meio de portaria, uma comissão composta por representantes da atual mesa, da mesa eleita, além de procuradores do Legislativo.
Em entrevista ao O TEMPO Betim, Tiago Santana falou sobre renúncia da pré-candidatura, relação com o Executivo e a oposição, prioridades para a nova gestão e principais desafios de Betim.
O senhor deixou a liderança do governo na Câmara pra se dedicar às articulações de uma pré-candidatura a deputado estadual. Eleito presidente da Casa, essa candidatura continua de pé?
Não. Depois de uma ampla conversa com o grupo que me apoia, decidimos que não seguirei com a candidatura. Foi uma decisão construída com muita responsabilidade. Com a minha eleição para presidir a Câmara no próximo biênio, entendemos que, neste momento, minha maior contribuição é permanecer em Betim, ajudar a fortalecer o Legislativo municipal e me dedicar a essa nova missão.
Quem o senhor pretende apoiar para estadual?
O ex-prefeito Vittorio Medioli (PL) confirmou sua candidatura nessa quinta (13). Tenho certeza de que será o nosso candidato. É uma liderança que conhece profundamente Betim, conhece os desafios do município e tem experiência e condições para defender os interesses da cidade na Assembleia Legislativa. Precisamos pensar na representação de Betim. Somos uma das maiores cidades de Minas Gerais e precisamos fortalecer nossa capacidade de defender os interesses do município também no Estado.
Como será sua relação com o Executivo e com a oposição?
Os Poderes são independentes e harmônicos, e acredito muito nesse princípio. A Câmara tem a responsabilidade de legislar, fiscalizar e representar a população. O Executivo possui suas atribuições. Mas independência não significa conflito permanente. Sempre que houver projetos importantes para Betim, vamos trabalhar para construir soluções conjuntamente. E, quando houver necessidade de discutir, aperfeiçoar ou questionar alguma medida, a Câmara exercerá o seu papel. Se colocarmos o interesse da população em primeiro lugar, tenho certeza de que o Executivo e o Legislativo poderão conquistar importantes vitórias para Betim. Uma Câmara forte não é aquela em que todos pensam da mesma forma. É aquela em que as diferenças podem ser apresentadas e debatidas com respeito, responsabilidade e dentro das regras democráticas.
O que pretende mudar na Câmara a partir de 2027?
Quero contribuir para uma Câmara mais próxima da população, mais estruturada e mais preparada para exercer plenamente suas funções. Um dos nossos objetivos será assegurar condições para que os mandatos e as comissões desenvolvam seu trabalho de legislar, fiscalizar e representar a população. Isso envolve estrutura, continuar a modernização dos processos, o fortalecimento das comissões e a melhoria de instrumentos para acompanhamento das políticas públicas e das demandas da sociedade. Também queremos avançar na revisão e na consolidação da legislação. Betim possui milhares de leis produzidas ao longo de décadas e precisamos torná-las mais organizadas, atualizadas e acessíveis. E existe um terceiro aspecto fundamental: preparar o Legislativo para discutir os grandes desafios de Betim para os próximos anos. A Câmara não pode se limitar às questões do presente. Precisamos discutir o futuro: a diversificação da economia, especialmente com as oportunidades que surgirão com a construção do aeroporto; a melhoria da mobilidade; os desafios da saúde, da segurança e da educação; e o desenvolvimento sustentável.
O senhor é presidente de Comissão da Educação. Qual será sua prioridade pra área?
Precisamos continuar avançando na qualidade do ensino, mas acredito que um dos grandes desafios será fortalecer e ampliar a educação inclusiva. Precisamos avançar nas escolas inclusivas, com espaços e equipamentos adequados e equipes multiprofissionais preparadas para avaliar cada estudante, contribuir para a conclusão dos laudos quando necessários e, principalmente, assegurar que cada criança receba o atendimento apropriado às suas necessidades. Isso passa também pela formação dos profissionais, pela oferta dos apoios necessários dentro das escolas e por uma estrutura que dê suporte às famílias e aos educadores. Não basta assegurar a matrícula. Precisamos garantir acesso, permanência, aprendizagem e desenvolvimento. A inclusão precisa acontecer de forma efetiva dentro da escola, respeitando as necessidades e as potencialidades de cada estudante. A Câmara pode contribuir fiscalizando, propondo melhorias, ouvindo as famílias, os profissionais e a comunidade escolar e trabalhando em conjunto com o Executivo para avançarmos na construção de uma educação verdadeiramente inclusiva.
Quais três projetos ou eixos devem marcar sua gestão?
O primeiro é aproximar ainda mais a Câmara da população. Queremos fortalecer o projeto Câmara na Rua como instrumento permanente de escuta e participação popular, ampliar as audiências públicas e criar mecanismos para acompanhar as demandas apresentadas até que a população tenha uma resposta. O segundo é fortalecer e estruturar o Legislativo. Precisamos assegurar condições para que os mandatos e as comissões exerçam plenamente suas responsabilidades. O terceiro é fazer da Câmara um espaço de construção dos grandes projetos para o futuro de Betim. Temos 23 vereadores, de diferentes partidos e com relações políticas diversas. Podemos transformar essa pluralidade em força institucional para defender a cidade. Na saúde, por exemplo, Betim exerce um papel regional importante. Precisamos mobilizar nossas representações políticas para buscar uma repactuação do financiamento e dos atendimentos prestados a outros municípios. Na segurança, precisamos fortalecer a articulação com o Estado e a integração das forças de segurança. Na economia, temos o desafio de ampliar a diversificação econômica da cidade e aproveitar oportunidades como a construção do aeroporto. Precisamos continuar debatendo soluções para a mobilidade, a educação e o desenvolvimento de Betim. Existem questões que não são de governo ou oposição, de esquerda ou de direita. São pautas de Betim. E a Câmara pode ajudar a unir forças em torno delas. Vamos trabalhar para garantir uma Câmara que escuta, acompanha e entrega resultados.