
A história do Grupo SADA se mistura, em grande medida, com a trajetória empreendedora do próprio fundador e presidente do grupo, Vittorio Medioli. O empresário nasceu em uma família com tradição em inovação e cujas atividades, até a década de 1950, estavam concentradas na moagem de trigo, por meio do Mulino Medioli. Historicamente conhecido como “Moinho de Vicofertile”, ele se localizava na província de Parma, no norte da Itália. Em 1957, surgiu uma oportunidade capaz de diversificar as atividades da família e mudar os rumos da história: a aquisição da estatal Grupo Reunido de Autotransporte (GRA).
A empresa, com sede em Milão, foi adquirida por Riccardo Medioli, pai de Vittorio. Dois irmãos e um cunhado de Riccardo também entraram no negócio. Foi o pontapé inicial para a criação da SADA Transportes. A iniciativa, decorrente de uma oportunidade, e não de uma tradição de gerações, ficou a cargo de Fernando Malvezzi. O cunhado de Riccardo já trabalhava na GRA e tinha maior experiência na área de transporte e logística.
Em poucos anos, a SADA expandiu suas operações para importantes cidades italianas, como Roma, Nápoles, Turim, Florença e Cassino, e passou a atender grandes clientes industriais, como Fiat, Iveco, Philips, Xerox e Gessy Lever. A empresa se dedicava principalmente a atividades de transporte de veículos, peças e cargas em geral. Alguns anos mais tarde, por uma decisão familiar, o Moinho Medioli foi vendido para uma grande multinacional do ramo, a Quaker Oats Company.
E foi nesse contexto, em 1973, que Vittorio, determinado a ganhar seu próprio dinheiro, foi procurar Fernando na SADA. Após deixar o curso de direito e interromper os estudos de filosofia, passou a trabalhar inicialmente na área de contabilidade e, depois, na administração de transportes, acumulando experiência em um setor que, poucos anos depois, definiria sua trajetória empresarial.
No mesmo ano, a notícia de que a Fiat planejava instalar uma fábrica em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, despertou o interesse da SADA. A montadora italiana convidou seus fornecedores para avaliar a possibilidade de abrir operações no Brasil, em um momento em que o governo mineiro oferecia incentivos para a implantação do novo polo automotivo. Seria um negócio de grande porte, e a unidade da Fiat seria a segunda maior fábrica de veículos da empresa a ser construída no mundo.
Sem candidatos interessados dentro da empresa, Vittorio foi consultado sobre a possibilidade de assumir o desafio. Aos 25 anos, aceitou a proposta após um período de reflexão, motivado tanto pela oportunidade profissional quanto pela possibilidade de construir um novo projeto de vida.
“Na empresa, não havia ninguém querendo ir. E não deveria ser coisa boa mesmo, não, porque, se fosse interessante, teriam escolhido outra pessoa. Parecia mesmo ser um abacaxi. Consultei um dos meus mestres, meu guru na época, e ele me incentivou a aceitar a proposta, alegando que seria bom para mim”, relembra Vittorio.
"Promovi a primeira de tantas inovações de mercado e que todo o segmento de transporte e logística começou a copiar. Modifiquei o projeto de nossas cegonhas, e elas passaram a transportar 12 veículos – e não nove, como ocorria na época."
Vittorio Medioli, fundador e presidente do Grupo SADA
Abrir operações da SADA no Brasil exigiu deixar para trás a estabilidade conquistada na Itália para o início em um país sobre o qual sabia muito pouco. Após uma primeira visita a Belo Horizonte e às obras da futura fábrica da Fiat, Vittorio Medioli retornou à Itália para organizar a criação da filial brasileira.
Em 1976, ele desembarcou definitivamente na capital mineira para estruturar a primeira filial da SADA no Brasil. Em 9 de julho participou da inauguração da Fiat Automóveis, em Betim. Menos de um mês depois, em 4 de agosto, a SADA foi oficialmente criada no Brasil.
Os primeiros meses após a inauguração da Fiat foram marcados por dificuldades na produção, o que retardou a contratação dos serviços previstos pela SADA. “No início, saíam pouquíssimos carros, cerca de uns 50 por dia, e olhe lá. Eram muitos problemas a serem resolvidos”, recorda Vittorio. “Nós ficamos cerca de seis meses sem nenhum serviço com eles. Para completar, a Europa estava passando por um momento de crise econômica, em função da Guerra Fria”.
Diante dos desafios, Vittorio ampliou a atuação da empresa e passou a realizar o transporte de diversos tipos de carga para diferentes clientes – abrindo filiais em São Paulo e no Rio de Janeiro. Uma dessas empresas foi a Klabin, que já era uma grande produtora de papel para embalagem. A estratégia permitiu manter a operação ativa enquanto a produção da Fiat ganhava ritmo.
O primeiro contrato firmado com a Fiat para o transporte de carros ocorreu no início das exportações da montadora para o Uruguai. “O primeiro lote de exportação era de 10 mil veículos, o que daria cerca de mil unidades por mês”, relata Vittorio. Com a plena ativação da fábrica e ampliação do mercado interno, o contrato foi alterado para 100 mil veículos.