SADA 50 ANOS

Futuro do Grupo SADA passa por negócios verdes e diversificação

Conglomerado segue dando passos rumo à sustentabilidade, motor que impulsiona processos de inovação

Por Gabriel Rezende

Publicado em 05 de agosto de 2026 | 15:29

 
 
Igarapé Reciclagens (IGAR), do Grupo SADA, tem capacidade para reaproveitar 300 mil veículos por ano Igarapé Reciclagens (IGAR), do Grupo SADA, tem capacidade para reaproveitar 300 mil veículos por ano Foto: Grupo SADA/Divulgação

O Grupo SADA consolidou sua posição como uma das maiores empresas de transporte e logística automotiva. Aos 50 anos, o conglomerado vive uma transformação que vai além da atividade que o tornou referência continental. Com investimentos em bioenergia, reciclagem automotiva, reflorestamento e novos segmentos industriais, a empresa aposta na diversificação dos negócios e se prepara para o futuro.

A transformação começou ainda no início dos anos 2000, quando o grupo ingressou nos setores de bioenergia e silvicultura. Desde então, a estratégia foi ampliada para incluir negócios voltados à produção de combustíveis renováveis, reflorestamento, reciclagem automotiva, transformação de veículos especiais e expansão internacional. Hoje, logística e indústria dividem protagonismo dentro do grupo, refletindo um processo de diversificação.

Vittorio Medioli, fundador e presidente do Grupo SADA, afirma que o crescimento vai além dos resultados financeiros. “Hoje, cuidamos de praticamente 10 mil famílias, que são aquelas que trabalham diretamente conosco. A tendência é aumentar o número de colaboradores. Os indiretos também são outros tantos. Não somos apenas um grupo que movimenta dinheiro, movimentamos o destino de muitas pessoas. Isso me enche de satisfação”, afirmou em entrevista ao podcast Minas S/A, de O TEMPO.

Um dos pontos é a economia circular. Em fevereiro deste ano, o Grupo SADA inaugurou, em Igarapé, na Região Metropolitana de BH, a Igarapé Reciclagem (IGAR), a primeira recicladora integrada de veículos do país, com capacidade de reaproveitar 300 mil veículos por ano. Com investimento de R$ 200 milhões, a unidade foi concebida para transformar veículos em fim de vida útil em matéria-prima para a indústria siderúrgica, reduzindo o descarte de resíduos e contribuindo para a diminuição das emissões de carbono.

O empreendimento foi instalado ao lado do maior pátio automotivo do grupo, formando um polo que reúne logística e reciclagem. A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos e ao Programa Mover, do governo federal, voltado ao incentivo à mobilidade sustentável e à inovação na indústria automotiva.

Segundo Daniela Medioli, vice-presidente do Grupo SADA, a IGAR representa mais do que um novo negócio. “Nosso foco é transformar o fim da linha para um automóvel em um começo para outros setores industriais. Com a IGAR, damos mais um passo rumo à sustentabilidade, motor que impulsiona nossos processos de inovação. Além da destinação correta dos resíduos, contribuímos para a economia circular e a mitigação do impacto ao meio ambiente”.

“Este é o caminho: reaproveitar o que é reaproveitável e reciclar o que é reciclável. A gente trabalha muito pela renovação efetiva da frota. É preciso retirar de circulação os veículos antigos, que poluem mais, para melhorar a matriz energética do setor. Não adianta ter um automóvel elétrico rodando ao lado de um veículo de 30 anos que emite dez vezes mais do que um carro novo. A política pública precisa olhar para esse conjunto”, avalia o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa.

Agenda ambiental é pilar histórico e vem sendo consolidada
A agenda ambiental do Grupo SADA é um pilar histórico que antecede em décadas a criação da Igarapé Reciclagem (IGAR). Os investimentos em silvicultura, atividade voltada ao cultivo e manejo sustentável de florestas, tiveram início em 2003, com a criação da SADA Bioenergia, focada na produção sustentável para fins comerciais e absorção de CO2.

Ao longo dos anos, essa estrutura foi profissionalizada: em janeiro de 2021, foi criada a SADA Madeiras, especializada em madeira de eucalipto de alto desempenho. No mesmo ano, a companhia consolidou suas operações sob a SADA Reflorestamento. As atividades estão distribuídas estrategicamente em Carbonita, Itamarandiba, Taiobeiras, Montes Claros e Sete Lagoas, em Minas Gerais, e Jussara, em Goiás.

O compromisso de longo prazo é guiado por um Plano Diretor com projeções até 2039, que prevê a expansão da produção de madeira e derivados para garantir a autossuficiência industrial e a mitigação de mudanças climáticas. A atuação em bioenergia também cresceu. As usinas localizadas em Jaíba, no Norte de Minas, e em Montes Claros de Goiás produzem etanol e energia elétrica. Agora, o grupo prepara uma nova etapa: a produção de etanol de milho, com previsão de início das operações até 2027. O projeto inclui ainda a fabricação de coprodutos destinados à nutrição animal.