
O Grupo SADA consolidou sua posição como uma das maiores empresas de transporte e logística automotiva. Aos 50 anos, o conglomerado vive uma transformação que vai além da atividade que o tornou referência continental. Com investimentos em bioenergia, reciclagem automotiva, reflorestamento e novos segmentos industriais, a empresa aposta na diversificação dos negócios e se prepara para o futuro.
A transformação começou ainda no início dos anos 2000, quando o grupo ingressou nos setores de bioenergia e silvicultura. Desde então, a estratégia foi ampliada para incluir negócios voltados à produção de combustíveis renováveis, reflorestamento, reciclagem automotiva, transformação de veículos especiais e expansão internacional. Hoje, logística e indústria dividem protagonismo dentro do grupo, refletindo um processo de diversificação.
Vittorio Medioli, fundador e presidente do Grupo SADA, afirma que o crescimento vai além dos resultados financeiros. “Hoje, cuidamos de praticamente 10 mil famílias, que são aquelas que trabalham diretamente conosco. A tendência é aumentar o número de colaboradores. Os indiretos também são outros tantos. Não somos apenas um grupo que movimenta dinheiro, movimentamos o destino de muitas pessoas. Isso me enche de satisfação”, afirmou em entrevista ao podcast Minas S/A, de O TEMPO.
Um dos pontos é a economia circular. Em fevereiro deste ano, o Grupo SADA inaugurou, em Igarapé, na Região Metropolitana de BH, a Igarapé Reciclagem (IGAR), a primeira recicladora integrada de veículos do país, com capacidade de reaproveitar 300 mil veículos por ano. Com investimento de R$ 200 milhões, a unidade foi concebida para transformar veículos em fim de vida útil em matéria-prima para a indústria siderúrgica, reduzindo o descarte de resíduos e contribuindo para a diminuição das emissões de carbono.
O empreendimento foi instalado ao lado do maior pátio automotivo do grupo, formando um polo que reúne logística e reciclagem. A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos e ao Programa Mover, do governo federal, voltado ao incentivo à mobilidade sustentável e à inovação na indústria automotiva.
Segundo Daniela Medioli, vice-presidente do Grupo SADA, a IGAR representa mais do que um novo negócio. “Nosso foco é transformar o fim da linha para um automóvel em um começo para outros setores industriais. Com a IGAR, damos mais um passo rumo à sustentabilidade, motor que impulsiona nossos processos de inovação. Além da destinação correta dos resíduos, contribuímos para a economia circular e a mitigação do impacto ao meio ambiente”.
“Este é o caminho: reaproveitar o que é reaproveitável e reciclar o que é reciclável. A gente trabalha muito pela renovação efetiva da frota. É preciso retirar de circulação os veículos antigos, que poluem mais, para melhorar a matriz energética do setor. Não adianta ter um automóvel elétrico rodando ao lado de um veículo de 30 anos que emite dez vezes mais do que um carro novo. A política pública precisa olhar para esse conjunto”, avalia o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa.
Agenda ambiental é pilar histórico e vem sendo consolidada
A agenda ambiental do Grupo SADA é um pilar histórico que antecede em décadas a criação da Igarapé Reciclagem (IGAR). Os investimentos em silvicultura, atividade voltada ao cultivo e manejo sustentável de florestas, tiveram início em 2003, com a criação da SADA Bioenergia, focada na produção sustentável para fins comerciais e absorção de CO2.
Ao longo dos anos, essa estrutura foi profissionalizada: em janeiro de 2021, foi criada a SADA Madeiras, especializada em madeira de eucalipto de alto desempenho. No mesmo ano, a companhia consolidou suas operações sob a SADA Reflorestamento. As atividades estão distribuídas estrategicamente em Carbonita, Itamarandiba, Taiobeiras, Montes Claros e Sete Lagoas, em Minas Gerais, e Jussara, em Goiás.
O compromisso de longo prazo é guiado por um Plano Diretor com projeções até 2039, que prevê a expansão da produção de madeira e derivados para garantir a autossuficiência industrial e a mitigação de mudanças climáticas. A atuação em bioenergia também cresceu. As usinas localizadas em Jaíba, no Norte de Minas, e em Montes Claros de Goiás produzem etanol e energia elétrica. Agora, o grupo prepara uma nova etapa: a produção de etanol de milho, com previsão de início das operações até 2027. O projeto inclui ainda a fabricação de coprodutos destinados à nutrição animal.