SADA 50 ANOS

Grupo SADA planeja ter 70% das atividades em novos setores

Meta é que logística caia de 50% para 30% das atribuições e o restante seja distribuído entre campos em expansão

Por Gabriel Rezende


Publicado em 05 de agosto de 2026 | 15:03
 
 
Grupo SADA chega aos 50 anos aumentando a diversificação de setores e reforçando seu DNA de sustentabilidade

Ao celebrar seu jubileu de ouro, o Grupo SADA não olha apenas pelo espelho retrovisor; a organização está em meio a uma transformação disruptiva, liderada pela estratégia de diversificação. Atualmente, 50% das atividades pertencem ao setor logístico original e os outros 50% dividem-se entre indústria, bioenergia e novos negócios.

A visão de futuro prevê uma inversão ainda mais acentuada. A meta para a década de 2030 é que a logística corresponda a apenas 30% das atividades, com os 70% restantes distribuídos entre os novos setores em expansão.

Essa estratégia é sustentada pelo conceito de “mente elástica”, uma filosofia de gestão que defende que quem não se adapta às transformações disruptivas está fadado ao desaparecimento. Para Vittorio Medioli, uma fórmula de sucesso empresarial é universal. “Quem aprende a fazer sapatos deve também saber produzir botas e meias”, diz.

Além dos investimentos ambientais, o Grupo SADA vem ampliando sua atuação em diferentes áreas da indústria. Em 2025, adquiriu a Greencar, especializada na transformação de veículos especiais, como ambulâncias e viaturas. Com a operação, passou a atuar em um segmento que exige soluções de engenharia e customização.

“Estamos atentos às tendências de mercado e ao desenvolvimento de estudos que identifiquem novas oportunidades, produtos e serviços. Ao mesmo tempo, avançamos nas competências já consolidadas, como no PDI (pre-delivery inspection) e com a Greencar. Essa atuação amplia nossa eficiência operacional e tecnológica e fortalece nossa capacidade de inovar, antecipar movimentos e transformar oportunidades”, afirma o diretor de novos negócios do Grupo SADA, Luca Medioli.

No mercado internacional, o grupo reforçou presença no Cone Sul com a aquisição da empresa uruguaia Manatil e manteve operações na Argentina, além de parcerias estratégicas no Chile. 

Complementando a cadeia, a SADA Combustíveis, cuja atuação teve início em 2018 a partir de um projeto iniciado em 2007, avança para o varejo. A estratégia atual foca o lançamento da bandeira própria SADA, que visa converter postos “bandeira branca” e inaugurar novas unidades, para garantir que o biocombustível chegue ao consumidor final com selo de qualidade de origem, fechando o ciclo da produção à bomba.

O Grupo SADA também está se preparando para começar a produzir etanol de milho, como destaca Vittorio. “Trata-se do nosso maior investimento recente. Significa fortalecer nossa posição em um dos segmentos mais promissores da economia brasileira”, afirma.

Diretoria vem para reforçar relevância do ESG na SADA

Mais do que orientar investimentos em novos negócios, a agenda de sustentabilidade passou a integrar a estrutura de governança do Grupo SADA. Em 2025, a empresa criou a Diretoria de Sustentabilidade, liderada por Luisa Medioli, com a missão de incorporar as pautas ambientais, sociais e de governança (ESG) às decisões estratégicas do conglomerado. A iniciativa consolidou um movimento iniciado anos antes, com a adesão ao Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) e a publicação do primeiro relatório ESG da companhia.

Segundo Daniela Medioli, vice-presidente-executiva do Grupo SADA, a criação da diretoria consolidou a importância do tema dentro da organização. “A chegada da Luisa e a criação da Diretoria de Sustentabilidade foram movimentos estruturais com o objetivo de aprimorar nossas ações e ampliar nosso impacto positivo no meio ambiente e na sociedade, sempre alinhados às melhores práticas do setor”, explica.

Na prática, essa estratégia se traduz em medidas como a conversão gradual da frota para veículos movidos a gás natural, o uso de energia proveniente de fontes renováveis, a instalação de painéis solares, a substituição de empilhadeiras a diesel por modelos elétricos e investimentos em reflorestamento para compensação das emissões de carbono.

Segundo Luisa Medioli, a atuação da área vai além das questões ambientais e busca integrar desenvolvimento econômico, inclusão social e qualidade de vida das comunidades onde o grupo está presente. “Para nós, as abordagens relativas ao terceiro setor não são apenas uma extensão do nosso trabalho, mas parte integral de nossos valores e da nossa missão. Ao mesmo tempo, o grupo trabalha com ações que contribuem para a transição energética e a construção de uma sociedade mais sustentável”, afirma.

“Caminho em busca de mais igualdade ainda é longo”

A agenda ESG engloba políticas voltadas à diversidade e à inclusão. Em 2021, o Grupo SADA criou o Programa de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). A iniciativa desenvolve ações focadas em equidade de gênero, inclusão de pessoas com deficiência, diversidade racial, diferentes gerações e população LGBTQIA+.

A participação feminina na liderança é um dos reflexos dessa estratégia. A segunda geração da família ocupa posições estratégicas na companhia, com Daniela Medioli na vice-presidência-executiva, Marina Medioli na presidência da Sempre Editora e Luisa Medioli na diretoria de sustentabilidade, além de outras mulheres em cargos de gestão.

Para Daniela, fortalecer essa agenda é um compromisso permanente. “Sabemos que o caminho em busca de mais direitos, igualdade e representatividade ainda é longo. Por isso, seguimos dando passos firmes em direção ao que acreditamos”, diz.