SADA 50 ANOS

SADA: legado que se renova sem perder a essência

Nova geração da família Medioli conduz os negócios preservando princípios

Por Dayse Aguiar e Carla Chein


Publicado em 05 de agosto de 2026 | 15:14
 
 
Estúdio do jornal O TEMPO, onde são gravados os programas diários para o canal no YouTube

Cinco décadas após sua fundação, o Grupo SADA vive um momento em que tradição e transformação caminham lado a lado. Hoje considerado um dos maiores e mais robustos conglomerados empresariais do país, o grupo preservou seu alicerce familiar e, com integrantes da segunda geração da família Medioli em posições estratégicas, busca responder às mudanças do mercado sem abrir mão dos princípios que marcaram sua trajetória.

"Como grupo, paralelamente à expansão e à diversificação dos negócios, sempre tivemos o compromisso com as pessoas e uma visão de futuro voltada para o desenvolvimento e a sustentabilidade."

Daniela Medioli, vice-presidente-executiva do Grupo SADA

Para a vice-presidente do Grupo SADA, Daniela Medioli, a capacidade de se antecipar aos movimentos da economia faz parte da identidade da empresa. “Nossa trajetória sempre foi pautada pela inovação, por antecipar tendências e pela estratégia de negócio. Mas, paralelamente à expansão e à diversificação dos negócios, sempre tivemos o compromisso com as pessoas e uma visão de futuro voltada para o desenvolvimento e a sustentabilidade”, afirma.

"Nós nos vemos como um elo na sociedade, que fomenta a qualidade da informação. Para os próximos anos, só vejo ganho de relevância, de qualidade, de credibilidade e de fortalecimento não só do jornal, mas de Minas diante do Brasil."

Marina Medioli, presidente da Sempre Editora

É essencial entender o DNA do Grupo SADA

À frente da Sempre Editora, Marina Medioli avalia que os próximos anos exigirão um novo olhar sobre esse legado. “Os 50 anos que nos trouxeram até aqui não são os mesmos que vão nos levar adiante. A sociedade mudou, o mundo mudou. O fundamental é entender o que é essencial, o que faz parte do DNA do grupo, para desenvolver esse legado”, diz.

No entanto, ela ressalta que preservar essa identidade não significa repetir o passado, e sim compreender o que deve permanecer e o que precisa evoluir. “Esse legado, extremamente importante, é um presente que a gente recebe e precisa cuidar dele. Manter a essência e o DNA, mas imprimir nossa marca diante das mudanças que o mundo pede”, frisa.

Olhar para o futuro

Na avaliação de Marina, esse olhar para o futuro vai além da continuidade dos negócios. Para ela, a atuação do Grupo SADA precisa manter um compromisso permanente com a sociedade, independentemente do segmento em que atua. “Para o grupo, é essencial ter utilidade para a sociedade. Para fazer sentido, tem que gerar impacto e um retorno positivo”, afirma. 

Segundo a executiva, a história construída pela família e a trajetória das empresas caminham juntas, mas não se confundem. “O legado da família e o legado da empresa são coisas que se cruzam, mas são diferentes”, pondera. Essa visão se reflete na atuação da Sempre Editora. Diante do excesso de informações e da disseminação de notícias falsas, Marina defende que o papel do jornalismo continua sendo oferecer conteúdo confiável, relevante e contextualizado.

Curadoria de informação

“O jornalismo traz confiança, traz curadoria. As notícias passam por checagem, análise criteriosa. O que mais modifica é a forma como a gente entrega esse conteúdo”, analisa. Se as plataformas e os hábitos de consumo mudaram, a missão permanece a mesma: oferecer ao leitor informações nas quais confie e conteúdos que realmente importam. 

Para ela, um dos principais desafios já está em curso: aproximar o jornalismo dos jovens, que já nasceram em uma era digital, com o consumo de informações cada vez mais acelerado. O objetivo é conscientizar as novas gerações e oferecer a elas o mesmo compromisso com credibilidade e qualidade que marcou a trajetória do grupo nesses 50 anos.

O TEMPO: referência em jornalismo de qualidade

Com um olhar diferenciado e futurista para o mercado, Vittorio Medioli fundou, em 1989, a Sempre Editora, que em poucos anos se tornou responsável pela publicação de jornais próprios e de terceiros. Com a evolução tecnológica na área, a Sempre também passou a absorver o ecossistema digital da empresa, como o portal O TEMPO, o canal de O TEMPO no YouTube e as redes sociais.

A publicação de jornais teve início ainda em 1989, com a impressão de O TEMPO, semanário que circulava em Betim e depois foi renomeado como O TEMPO Betim. O semanário Pampulha passou a fazer parte do grupo em 1995, quando Laura Medioli, esposa de Vittorio, pediu ao marido “um jornal como presente de aniversário de casamento”. Relançado em 1996, o Pampulha tornou-se um dos principais semanários de BH, tendo a circulação suspensa na pandemia, em 2020.

Paralelamente ao Pampulha, Vittorio desenvolveu o projeto de um jornal diário de grande circulação no estado. O TEMPO foi lançado em 21 de novembro de 1996, em meio a baixas vendas de jornais na capital. Considerado “ousado”, o projeto recebeu muitas críticas, mas inovou, com um time de articulistas de renome, virando referência em jornalismo de qualidade.

Super Notícia, um case de vendas

Em 2002, foi lançado o Super Notícia, tabloide popular que chegou a ter 500 mil exemplares vendidos por dia, superando a “Folha de S.Paulo”. Ele passou a ser semanal e digital em 2022 e encerrou sua edição impressa em 2025, mantendo-se integrado ao ecossistema digital.

Marina Medioli, presidente da Sempre Editora, aproximou-se da empresa motivada, também, pelo interesse em tecnologia e inovação. Atualmente, ela acompanha os impactos da inteligência artificial no jornalismo e defende o uso responsável da tecnologia.

“Estamos há 30 anos construindo um legado para O TEMPO, com a participação de pessoas incríveis que passaram por aqui e deixaram suas marcas”, afirma.