
O fortalecimento do Grupo SADA no Brasil levou, ao longo da década de 1980, ao distanciamento da matriz italiana. Desde 1981 existiam divergências entre os sócios sobre a continuidade das atividades fora da Itália. Enquanto parte dos acionistas defendia o encerramento da operação, Vittorio Medioli acreditava no potencial de crescimento do mercado brasileiro. Para ele, era uma questão de ampliar o olhar e enxergar as oportunidades.
“Desde 1981 nós tínhamos grandes controvérsias. Eu tinha 25% de participação e havia dito que a ideia inicial era permanecer por dois anos no Brasil – e eu estava aqui havia cinco. Então, propus o seguinte: ‘Ao invés de fechar, vocês poderiam vender para mim suas cotas na SADA do Brasil’. Aceitei o valor que pediram. Paguei mais do que deveria, não houve problema”, revela Vittorio.
Em 1989, o Grupo SADA no Brasil deixou de ter participação estrangeira e se tornou 100% nacional. No mesmo ano, Alberto Medioli, irmão de Vittorio, mudou-se para cá para integrar a sociedade e dividir a condução dos novos investimentos.
“Ele sempre teve uma visão muito futurista, e aquela iniciativa foi uma prova disso”, conta Alberto. “Mesmo com poucos anos de experiência, sentia que ele ia, a cada dia, dominando mais e mais o setor de transporte”.
Resolvido o imbróglio com os acionistas estrangeiros, o Grupo SADA acelerou sua expansão na década seguinte e, hoje, conta com mais de 30 empresas, em diversos segmentos e cidades do país. Em 1990 foi criada a Fundação Medioli sob o lema “Mudar o mundo com as pessoas e para as pessoas”. No mesmo ano, começou a funcionar também a creche Anna Medioli, em homenagem à matriarca da família.
O ano seguinte, 1991, marcou também o início de uma nova estratégia de expansão do grupo. Vittorio adquiriu uma tradicional empresa de São Bernardo do Campo (SP), a Dacunha – também especializada no transporte de veículos e em soluções de logística.
“Em momentos de crises econômicas, muitas empresas são colocadas à venda. O segredo é ter reservas de recursos próprios para essas aquisições, para não ter de recorrer ao sistema financeiro e entrar na mesma roda-viva das demais”, diz Vittorio.
Em 1995, entrou em operação a Matran, empresa especializada na fabricação de cegonhas que visava, inicialmente, atender à demanda do grupo. Com sede em Sete Lagoas, ela logo se tornou referência na área, produzindo diversos tipos de estruturas metálicas e oferecendo serviços de caldeiraria. Poucos anos depois, a SADA decidiu investir no segmento de usinagem e firmou uma parceria com a OMR (Officine Meccaniche Rezzatesi), também em Sete Lagoas.
Na década de 1990, o Grupo SADA estava prestes a registrar um novo marco em sua trajetória de expansão. Uma nova unidade da Fiat estava sendo instalada em Córdoba (Argentina), e, em 1996, a empresa Elta Transportes, a 40 km de Buenos Aires, passou a operar como braço logístico do Grupo SADA no país. No Chile, a Elta estabeleceu parcerias com o principal operador logístico do país e, em 2025, o Grupo SADA adquiriu no Uruguai a Manatil.
Em 1996 foi criada a AutoService, empresa de logística e transporte de veículos novos e usados. Desde 2005, o grupo conta com a SADA Transportes Centro-Oeste e a SADA Logística. Entre 2000 e 2010, a SADA se consolidou ao integrar duas empresas tradicionais do segmento de transporte automotivo: a Brazul e a Transzero.
Em 2014, o Grupo SADA inaugurou o maior pátio de uma empresa de transporte e logística da América Latina, em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ideia era atender à expansão das vendas e unificar os mais de 20 pátios externos de parqueamento do estoque da Fiat.
“Isso gerava grandes transtornos a todos, especialmente a quem precisava carregar veículos com a devida agilidade”, conta Vittorio Medioli.
O grupo também expandiu suas atividades para o setor de concessionárias de veículos leves e pesados, com a abertura da Iveco Deva, em 2001, e da Fiat Deva, em 2004. Em 2005, foi criada a SADA Siderurgia. Em 2003, o grupo investiu em silvicultura, com a criação da SADA Bioenergia e Agricultura. No mesmo ano, a SADA iniciou suas atividades no setor de energia, com a SADA Bioenergia e, em 2007, com a Eber Bioenergia e Agricultura.
Em 2021, foi inaugurada a segunda empresa no setor de silvicultura – a SADA Madeiras. A operação foi consolidada a partir de 2022, com a SADA Reflorestamento.
Nascida em 2018, a SADA Combustíveis atende a redes de postos com a comercialização e a distribuição de etanol, diesel e gasolina em Minas, Bahia e Goiás. “A nossa distribuidora de combustíveis ainda não usa a marca, mas, em pouco tempo, vão surgir postos de combustível com a bandeira ”, diz Vittorio