Deslocados

Animais silvestres estão cada vez mais próximos das cidades

Nos seis primeiros meses deste ano, Betim registrou 32 capturas em áreas urbanas

Publicado em 15 de julho de 2023 | 09:00

 
 
Presença de espécies da fauna silvestre em áreas urbanas tem sido cada vez mais comum em função do desmatamento crescente e do avanço das grandes edificações Presença de espécies da fauna silvestre em áreas urbanas tem sido cada vez mais comum em função do desmatamento crescente e do avanço das grandes edificações Foto: Prefeitura de Betim/Divulgação
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Somente nesta semana, ao menos duas capturas de animais silvestres foram registradas em Betim, na região metropolitana de BH. A mais recente foi a de uma capivara em um posto de combustíveis no Jardim Piemonte, na quarta-feira (12). Funcionários do estabelecimento acionaram o Grupamento de Meio Ambiente da Guarda Municipal (GMA) para fazerem a retirada segura do roedor, que foi solto às margens do rio Paraopeba após um veterinário atestar o bom estado de saúde dele. Já no domingo (9), um filhote de cascavel se escondeu atrás de um vaso de plantas na varanda da casa de uma idosa de 80 anos no Vila Boa Esperança. Militares do Grupo Especial de Policiamento Ambiental (Gepam) da Polícia Militar (PM) retiraram a serpente do local e a encaminharam para avaliação antes de a devolvê-la ao habitat natural.

A presença de espécies da fauna silvestre em áreas urbanas tem sido cada vez mais comum em função do desmatamento crescente e do avanço das grandes edificações. Em Betim, foram feitas cem capturas ao longo de 2021. No ano passado, o total de casos aumentou 22%, chegando a 127. Neste ano, entre janeiro e junho, 32 animais já foram recolhidos. Segundo a subinspetora do GMA, Ana Cândida, os saruês são os que aparecem com mais frequência. “Embora eles estejam em busca de comida, nós orientamos a não alimentá-los e, principalmente, não tentar quaisquer interações, pois se trata de animais silvestres, que podem atacar. E mais: transmitir doenças”, alerta Ana.

A subinspetora afirma que os animais resgatados machucados são encaminhados a uma organização social parceira e, depois de recuperados, são soltos em áreas adequadas. Os que não conseguem mais viver em seu habitat natural permanecem na instituição. Já os bichos saudáveis voltam para a natureza. Geralmente, são soltos na região da Fazenda Serra Negra, no Jardim Recreio Alvorada, e nos arredores da represa Várzea das Flores. No caso das serpentes, o destino é a Fazenda Experimental da Fundação Ezequiel Dias, onde são produzidos antídotos para a picada do réptil.

Recorrência

Também acionados para fazerem capturas de animais, os bombeiros registram maior incidência de tucanos, araras, cobras (sobretudo jiboias), tamanduás, ouriços-cacheiros e capivaras fora da zona rural. “É comum a fuga desses animais para locais próximos aos centros urbanos como forma de proteção, a exemplo da região metropolitana de BH. Essa fuga se deve a alguns fatores como o avanço das construções e os incêndios em vegetação. Isso ocorre porque eles acabam ficando sem alimentos e desprotegidos”, frisa o sargento Azevedo, do Corpo de Bombeiros.

Segundo o militar, sempre que um animal silvestre for avistado, a recomendação é manter a calma, afastar-se e acionar um órgão competente. “Na maioria dos casos, os ataques acontecem somente quando o animal é ameaçado ou sofre algum tipo de agressão. Ele ataca para se defender”, diz o sargento.