Betim não registra caso de febre maculosa, mas é preciso se prevenir; saiba como | O TEMPO Betim
 
Saúde

Betim não registra caso de febre maculosa, mas é preciso se prevenir; saiba como

Doença é transmitida para humanos pelo carrapato-estrela. O parasita é encontrado em áreas rurais e pode se instalar em animais de grande porte e silvestres

Publicado em 23 de junho de 2023 | 12:00

 
 
Bactéria Rickettsia fica armazenada no corpo do carrapato-estrela Bactéria Rickettsia fica armazenada no corpo do carrapato-estrela Foto: IMAGEM ILUSTRATIVA - Divulgação / Prefeitura de Jundiaí
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Dor no corpo, febre alta, mal-estar e manchas vermelhas, todos de início abrupto. São sintomas de doenças conhecidas, como a dengue, mas que podem ser indicativo de outra enfermidade: a febre maculosa. A doença, transmitida para humanos pelo carrapato-estrela, cientificamente conhecido por Amblyomma cajennense, é diferente da que acomete os cachorros.

Em Betim, ainda não há casos confirmados de febre maculosa em 2023. Uma moradora da cidade está sob investigação, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde. Ela está internada em um hospital de BH, e a suspeita é que o contágio tenha se dado fora de Betim. “Por isso, se for confirmado o caso, o vínculo epidemiológico não será do município”, informou a pasta. 

Contágio

Segundo a coordenadora médica da Atenção Primária à Saúde, Ana Flávia Drummond de Andrade, a febre maculosa pode surgir quando a pessoa é picada pelo carrapato-estrela infectado pela bactéria Rickettsia. O parasita é encontrado em áreas rurais e pode se instalar em animais de grande porte e silvestres, como a capivara.

“Além dos sintomas, o que reforça a suspeita (de febre maculosa) é o relato do paciente de ter visitado uma área de sítios ou fazendas recentemente”, explica. Os sinais aparecem entre três e seis dias após a picada.

O diagnóstico é feito por análise clínica e pela suspeita epidemiológica em caso de viagens a zonas rurais. Mas a confirmação é por exame de sangue.

A doença tem cura por meio de antibióticos específicos. Mas o tratamento deve começar o mais cedo possível, para que se evite o comprometimento de órgãos importantes como fígado e rins, o que pode levar à morte. Em casos mais graves, pode ser necessária internação hospitalar.

Como prevenir

A melhor forma de prevenção é evitar o contato com o carrapato. O biólogo do Centro de Controle de Zoonoses e Endemias de Betim, Sérgio Chumbinho explica que, ao ir a locais de matas, deve-se usar roupas claras e que cubram todo o corpo. O uso de repelente DEET, que contém o composto químico N-N-dietil-meta-toluamida, também protege contra carrapatos. Para quem tem sítio, a recomendação é deixar o gramado baixo, pois a luz do sol mata o parasita. 

O especialista salienta que a doença é transmitida pelo carrapato na fase de micuim, quando ele ainda está jovem, portanto, muito pequeno, o que dificulta a visualização.

Segundo ele, a febre maculosa é uma doença zoonótica clássica, cuja ocorrência é mais comum nesta época do ano, entre os meses de junho e novembro. “Precisamos fazer um alerta para as pessoas que vão a locais de mata se protegerem e também para que o diagnóstico seja o mais rápido possível”, destaca.

Carrapato que pica o cão também pode matar o animal

O carrapato encontrado em cães também pode causar doenças. Ele é diferente do carrapato-estrela e tem o nome científico de Rhipicephalus sanguineus.

“O carrapato vai parasitar animais de estimação, via corrente sanguínea, podendo provocar a erliquiose, causada por uma bactéria; ou a babesiose, causada por um protozoário”, explica a médica veterinária Tanísia Sousa.

Os sintomas podem ser variados, mas os principais são anemia, prostração, falta de apetite, quadro febril, além de apatia. 

O diagnóstico é feito por meio de exame sorológico, e o tratamento é de longa duração – aproximadamente 30 dias. A veterinária explica que, para evitar a doença, podem ser administrados antiparasitários orais e coleiras específicas. Além disso, deve-se evitar caminhar com animais em áreas de mata.