Com a promessa de facilitar a concessão de aposentadoria em agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), um homem de 51 anos, que se passava por promotor de justiça, pode ter feito ao menos 200 vítimas em Minas Gerais. Somente no inquérito aberto contra Eliverdson de Paula Lucas Silva e que culminou na sua prisão, na sexta (13), a Polícia Civil descobriu 25 golpes aplicados pelo estelionatário que, juntos, geraram um prejuízo de mais R$ 60 mil para as vítimas.
“Foram quatro meses de investigação, mas, desde 2009, ele já se passava por promotor de justiça. Eliverdson oferecia facilidades às vítimas para que elas pudessem conseguir a aposentadoria. De cada uma, ele retirava de R$ 2.000 a R$ 4.000 e exigia o pagamento das custas do processo sempre em espécie”, explicou o delegado Roberto Veran, responsável pela 2ª Delegacia de Polícia Civil de Betim.
Para enganar as vítimas, o golpista também dizia que conhecia promotores e juízes que o ajudariam no processo de aposentadoria. A ousadia dele era tamanha que, para fechar os supostos serviços como advogado, Silva ainda realizava falsas audiências e despachos em salas da OAB de Betim e Contagem.
Segundo as investigações, por várias vezes, o estelionatário também usou o nome social, Lorraine, para não ser descoberto pela polícia. “Ele dizia também às vítimas que a Polícia Civil fazia a segurança dele e tirava fotos ao lado de veículos e dentro de prédios da polícia e da justiça. Depois, postava essas imagens em suas redes sociais”, disse.
Encaminhado para o presídio Professor Jason Albergaria, em São Joaquim de Bicas, o suspeito foi indiciado pelos crimes de estelionato e falsidade material, já que ele falsificava procurações, carimbos e assinatura de advogados. Em cada crime, o delegado Veran informou que ele pode pegar até 5 anos de prisão. “Acreditamos que mais vítimas vão aparecer. Por isso, caso a pessoa suspeite que tenha sofrido um golpe deste estelionatário, que busque a 2ª Delegacia de Polícia Civil de Betim”, orientou o delegado.
Provas
Silva foi preso na casa dele, no bairro Alto das Flores, na última sexta (13). No imóvel, a Polícia Civil apreendeu documentos falsos, carimbos de advogados e médicos, receitas médicas, carteiras de trabalho, carteiras com brasões usados para aplicar os golpes, além de certa quantia em dinheiro.