Emoção

Familiares de vítimas da barragem de Brumadinho participam de missa em Betim

Celebração relembrou os dois anos do rompimento da barragem da Vale, nesta segunda (25); momento de oração aconteceu na paróquia São Francisco de Assis

Da Redação

Publicado em 25 de janeiro de 2021 | 10:25

 
 

Tristeza, dor, emoção, esperança, fé, conforto. Foi um misto de sentimentos que marcou a celebração de uma missa em memória às vítimas do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, da Vale, que completa dois anos nesta segunda (25). A celebração aconteceu nesta manhã na paróquia São Francisco de Assis, em Betim, na região metropolitana, e contou com vários parentes de algumas das 270 vítimas do rompimento - 11 corpos ainda não foram encontrados sob a lama. 

Os parentes das vítimas levaram flores e as colocaram na porta da igreja. Também fizeram momentos de muita emoção dentro da celebração. Cartazes lembraram da tragédia que vitimou 270 pessoas e deixou outras milhares com cicatrizes emocionais que ainda não foram curadas. Parentes dos atingidos pela alma ainda contam mais duas vítimas - o que daria 272 - porque duas mulheres que morreram estavam grávidas. 

A missa foi presidida pelo padre Renê Lopes, que era pároco em Brumadinho. Após a tragédia, ele foi transferido para Betim, mas ainda mantém fortes laços com a cidade que foi palco do desastre. 

"O sentimento desta celebração de hoje é um sentimento que não conseguimos descrevê-lo, pela sua importância e impacto em nossos corações, no meu e nos dos familiares, por causa do crime do rompimento da barragem. Essa celebração traz conforto, consolo e esperança para acreditar na justiça, que ela seja feita nas pessoas que tiveram suas vidas ceifadas", afirmou o padre Renê Lopes. 

A pedagoga Silvânia Maria da Silva, 44, veio de Brumadinho para participar da celebração. Ela perdeu a irmã Daiana Carolina Silva, de 33, que era funcionária da Vale e trabalhava no setor administrativo da empresa. Daiana deixou um filho de cinco meses na época da tragédia. "A gente relembra esse dia 25 com muita saudade, mas também, com muita dor, porque a minha irmã e as outras pessoas não tiveram nem tempo de correr. Foram praticamente enterrados vivos. É um pesadelo. Mas a gente pega com Deus e pede força. Essa missa hoje nos dá consolo", conta Silvânia. A família dela ainda perdeu outra pessoa que iria se casar com uma sobrinha. 

O estudante Luiz Gustavo de Castro, 21, é outro morador de Brumadinho que participou da missa em Betim. O tio dele, Rogério Antônio, era mecânico da Vale. A família só pôde fazer o velório no dia 25 de maio, cinco meses após o rompimento. "Depois daquele dia (da tragédia), 25 de janeiro é todo dia. A gente fica mais reservado e pensando no que o dinheiro e a ganância falam mais alto que a vida. Hoje é motivo para chorar, mas, também, é um momento de consolo", ponderou.