Há dois anos, uma linha chilena iria marcar para sempre a vida de Gabriel Alves, o Feijão, hoje com 17 anos. Na época, ele foi atingido na altura do joelho por uma linha cortante, presa a um caminhão, enquanto andava pela calçada perto de casa e acabou tendo a perna esquerda amputada. Mas, de lá para cá, o garoto não se deixou abater pelo episódio, torno-se embaixador do Betim Futebol e de uma marca de prótese, além de retomar a prática do futebol com um time de atletas amputados.
“Ele é um menino alegre, tirou de letra. Ficamos até surpresos, ele tem muita vontade de vencer. Mas as pessoas não tem noção do mal que podem fazer com essa linha cortante. O Gabriel podia ter perdido a vida”, contou a mãe Regina Nascimento.
Com o objetivo de coibir o uso do cerol e de outras linhas cortantes, a Prefeitura de Betim intensificou, desde a última quinta-feira (1º), a campanha Operação Linha Segura.
A ação, que é uma iniciativa da Guarda Municipal, vinculada à Secretaria Adjunta de Segurança Pública, e tem a parceria com a Polícia Civil de Minas Gerais, começou com uma blitz educativa na Avenida das Américas, no período da manhã.
Na campanha, que contou ainda com o apoio de uma empresa de utensílios para motos, os agentes instalaram antenas de proteção em motocicletas, além de orientar a população que circula pela região sobre os perigos das linhas.
O comandante da Guarda Municipal de Betim, Anderson Reis, ressaltou a importância da campanha contra o uso de cerol, linha chilena e outras misturas cortantes. “Desde que intensificamos as ações de combate ao uso das linhas, registramos redução de mais de 150% nas ocorrências”, disse.
Segundo números da corporação, em 2019, foram 47 registros. Já no ano passado, o número de ocorrências caiu para 16.
Durante a ação, os guardas também estão vistoriando lojas que supostamente vendem as linhas cortantes e intensificando o patrulhamento ostensivo em áreas de vias de trânsito rápido, como a avenida Marco Túlio Isaac.
Os agentes reforçam que a utilização desses materiais é proibida por lei municipal, tanto em espaços públicos quanto privados em Betim.
As multas pelo uso ilegal das linhas variam entre R$ 100 e R$ 1.500, podendo, ainda, haver a punição criminal em casos de acidentes com vítimas. O uso ilegal das linhas pode ser denunciado pelos telefones 153, da Guarda Municipal, e 181, da Polícia Civil.
Minientrevista
Gabriel, já se passaram dois anos que você sofreu aquele acidente com a linha chinela que cortou de forma profunda uma das pernas, sendo necessário amputá-la. Como está a sua vida e a sua rotina hoje?
Gabriel: Hoje me tornei embaixador da marca Ottobock, que fornece a minha prótese, e do Betim Futebol, onde atuo no lançamento de uniforme, jogos e outros eventos do clube.
Regina: Ele está bem adaptado, seguindo o curso da vida. Eu sempre falo que Deus não dá um fardo maior que a pessoa pode carregar. E foi bem assim. Ele é um menino alegre, que tirou isso de letra. A gente fica até surpreso com a força dele, com essa vontade que ele tem de vencer.
Então Gabriel, você continua com essa paixão pelo futebol, que tinha antes do acidente?
Gabriel: Sim. Estou treinando com o time AMDA, de atletas amputados em Belo Horizonte. Até já viajei para disputar um torneio com o time no início deste ano. Meu sonho é jogar na Seleção Brasileira.
Nesta semana, a Guarda Municipal intensificou a campanha de combate ao uso do cerol e da linha chilena no município, com a realização de blitz e visita a estabelecimentos para coibir a venda desse material. Para vocês, esse tipo de ação tem que ser realmente intensificada?
Regina: Com certeza essa campanha tem que ser intensificada. Hoje o Gabriel está aqui para contar a sua história, mas ele poderia não estar. Fico com um frio na barriga quando vejo um papagaio (pipa) na rua. As pessoas não têm noção do mal que essas linhas cortantes podem fazer. O Gabriel podia ter perdido a vida por causa de uma linha. Por isso, acho muito importante intensificar essas ações em todo o país.