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Médica esclarece algumas questões relacionadas à pandemia do coronavírus

Confira a entrevista exclusiva com a pneumologista Ana Carolina Perez Rabelo

Da Redação

Publicado em 19 de março de 2020 | 23:33

 
 

A pneumologista ressaltou que não existe motivo para pânico, ou mesmo para estocar alimentos. Porém, é importante que as pessoas não banalizem a Covid-19 e sigam todas as instruções do Ministério da Saúde para que o vírus não se propague de maneira avassaladora.

Além disso, a médica pontua que o momento exige atitudes de colaboração e coletividade, para ajudar a proteger aqueles que estão no grupo de risco – como idosos e pessoas com doenças crônicas. 

Quais as principais medidas a população deve adotar neste momento? Acredito que o principal agora é conscientizarmos as pessoas quanto à importância de levar o isolamento social a sério. Além da higienização das mãos e dos cuidados ao tossir e espirrar, essa é a única maneira de conseguirmos diminuir a propagação do vírus.

E para aquelas pessoas que precisam sair para trabalhar? Sabemos que nem todas as empresas aderiram ainda a orientação de paralisar as atividades e quem precisa circular pela cidade deve redobrar a atenção e intensificar a lavagem das mãos e uso do álcool gel. O ideal é que saiam para trabalhar e voltem direto para casa. Passem no máximo no supermercado, por exemplo e, ao chegar em sua residência, reforce a higienização antes de ter contato com os outros familiares.

Quais são os grupos de maior risco de contaminação e por que? Ainda não sabemos muito sobre como o vírus atua, mas os idosos e as pessoas com doenças crônicas estão mais suscetíveis devido à queda na imunidade, que pode levar a quadros mais graves. As crianças também têm um sistema imunológico mais sensível e, com isso, é importante que fiquem mais reclusos. Não é momento de passeios, até porque eles não têm muita consciência e podem acabar tossindo e espirrando, por exemplo, próximo ao rosto do coleguinha.

Como podemos ajudar a proteger esse grupo? Evitando que eles circulem. Se tem algum idoso na família ou mesmo um vizinho, se disponibilize para fazer compras para ele, ir à farmácia e ao banco.

Como deve proceder quem tiver com os sintomas da Covid-19?É importante que as pessoas tenham calma e fiquem atentos. Estamos recebendo relatos de que os sintomas se manifestam de maneira abrupta, mas quem está com os sintomas e continua se alimentando, consegue realizar as tarefas diárias em casa e apresenta um bom quadro clínico, com febre abaixo dos 38º não deve ir para o hospital. Já aqueles que estão prostrados, apresentam falta de ar e a febre que não cede ou volta repentinamente, é importante buscar auxílio médico. 

Existe motivo para pânico? Não, porém, a população precisa parar de banalizar a situação e achar que é ‘exagero’. As medidas que estão sendo tomadas têm fundamento. Não é necessário estocar alimento, por exemplo, mas é importante que todos mudem o comportamento no que diz respeito a cumprimentos, higienização, circulação desnecessária nas ruas.

Porque a quarentena é recomendada? Não quer dizer que vamos conseguir desaparecer com vírus. O que acontece é que o contágio é muito fácil e rápido e se todos adoecerem ao mesmo tempo o sistema de saúde não terá estrutura para oferecer tratamento a todos. Além disso, outras doenças continuam existindo. Precisamos garantir assistência médica e leitos para além dos contaminados pelo coronavírus.

Existe uma previsão de quando as coisas devem voltar ao normal no país? Ainda não. Sabemos muito pouco sobre o vírus. Pesquisadores do mundo inteiro estão empenhados em descobrir métodos para amenizá-lo. Especialistas falam em 60 dias de quarentena pelo menos, mas isso não é definitivo. O importante é que todos comecem a se conscientizar. O pico da Covid-19 ainda está chegando no Brasil. Os números devem aumentar nos próximos dias e todos precisam atuar em prol da coletividade.