Necropsia mostra que cadela arrastada em Betim já estava inconsciente | O TEMPO Betim
 
Vianópolis

Necropsia mostra que cadela arrastada em Betim já estava inconsciente

Laudo aponta traumatismo cranioencefálico pré-existente, e não decorrente do arrastamento, como causa da morte

Publicado em 23 de agosto de 2023 | 15:46

 
 
Bruna, que tinha cerca de 2 anos, apresentava lacerações compatíveis com deslizamento em asfalto, “porém com poucas alterações circulatórias” Bruna, que tinha cerca de 2 anos, apresentava lacerações compatíveis com deslizamento em asfalto, “porém com poucas alterações circulatórias” Foto: Ronaldo Silveira
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A cadela Bruna, da raça Fila, que foi arrastada pelo engate de um carro na semana passada, no Vianópolis, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, já estava inconsciente ou com o nível de consciência reduzido quando o episódio ocorreu. É o que aponta o laudo da necropsia feita no animal, que foi encontrado enterrado no terreno em que vivia com o tutor, um homem de 72 anos, que dirigia o veículo.

De acordo com o documento, a morte foi causada por um traumatismo cranioencefálico (TCE) pré-existente e não decorrente do arrastamento da cadela pela rodovia MG-050 e pela avenida Amazonas. Conforme consta no laudo, foram identificadas múltiplas fraturas com fragmentos de ossos nas regiões temporal, parietal e frontal, resultando em afundamento de crânio e hematoma subcutâneo, o que ocasionou o TCE com contusão cerebral, extravasamento de sangue e de massa encefálica.

Ainda segundo o documento, Bruna, que tinha cerca de 2 anos, apresentava lacerações compatíveis com deslizamento em asfalto, “porém com poucas alterações circulatórias”. Outro ponto verificado pela necropsia foi a ausência de lesões nos coxins (“almofadas” das patas) e no pescoço, o que indicaria a não resistência ou resposta da cadela diante das lesões, já que o TCE tem como principal consequência o nível de consciência reduzido ou nulo.

“Com esse laudo, a versão que o homem deu à polícia, de que a corda em que a cadela estava presa teria se enroscado no reboque do carro, cai totalmente por terra, pois o exame diz que a Bruna já estava inconsciente antes de ser arrastada. Temos as nossas impressões, mas precisamos aguardar a investigação da polícia. Já encaminhamos o resultado da necropsia para o delegado responsável e também para o Ministério Público [MPMG]”, afirma a superintendente de Proteção Animal, Roberta Cabral.

Em nota, a corporação afirmou que "o inquérito policial segue em tramitação com diligências visando a elucidação do crime e novas informações serão repassadas apenas ao final das investigações". A reportagem de O Tempo Betim também pediu um posicionamento ao MPMG sobre a necropsia e aguarda um retorno.