Betim registrou o primeiro caso da variante do Reino Unido da Covid-19. A informação foi divulgada na terça (23), e é o resultado de um estudo feito pelo Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Rede Corona-Ômica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Instituto Hermes Pardini e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Não foi informado o perfil do paciente infectado pela nova variante, chamada de B.1.1.7.
Segundo a prefeitura, “não há evidências científicas que comprovem a existência de alguma relação entre a alta de casos de Covid-19 no município e a circulação da variante britânica do coronavírus”.
O município enfatizou a importância das medidas de prevenção. “É importante ressaltar que, mesmo com a vacinação em andamento, é de suma importância manter todas as medidas de proteção, como o uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social”, diz a nota.
A presença da variante originária do Reino Unido foi identificada em 16 cidades do país, sendo quatro em Minas Gerais. Além de Betim, também há casos na capital Belo Horizonte, em Araxá, no Alto Paranaíba, e em Barbacena, na Região Central.
Mesmo com a ocorrência comprovada da variante em BH e em Minas, ainda é cedo para afirmar que ela esteja circulando em grande volume nesses territórios, de acordo com um dos pesquisadores, Renan Pedra, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG.
“A gente analisou mais de 740 mil amostras de exames laboratório Hermes Pardini e encontramos 25 amostras que tinham comportamento atípico. Trouxemos essas amostras para fazermos o sequenciamento genético e identificamos a linhagem do Reino Unido. No entanto, não sabemos se essas pessoas que foram infectadas com a variante B.1.1.7 foram ou não ao exterior, se tiveram contato com pessoas que viajaram ou se trata de transmissão local”, explicou o pesquisador.
Entender a dinâmica da circulação dessa variante é o segundo passo da pesquisa, que deve ficar pronta em duas semanas. No entanto, já se sabe que essa ela tem um potencial de transmissão mais elevado, sendo de 50% a 74% mais contagiosa, conforme apontam outros estudos científicos.
Até o fim de março, os pesquisadores pretendem ainda descobrir a frequência da circulação dessa variante no país.
Segundo o Ministério da Saúde, até o último dia 20, já tinham sido detectados mais de 200 casos de pacientes infectados com as variantes do Amazonas (P1) e do Reino Unido. A mutação da África do Sul ainda não foi detectada.
Balanço de casos
Segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (25), pela Secretaria Municipal de Saúde, Betim tem 17.941 casos confirmados de Covid-19, sendo que 17.104 estão recuperados, e 333, em acompanhamento. Os óbitos de residentes no município somam 465. Outros 39 estão internados na rede SUS.
Minientrevista
Renan Pedra, pesquisador da UFMG
Renan, como vocês descobriram que um paciente de Betim foi infectado pela variante do Reino Unido da Covid?
Nós analisamos amostras de cerca de 740 mil exames laboratoriais de pessoas de vários Estados. Nessas análises, identificamos 25 casos em que foi detectada a variante originária do Reino Unido, sendo quatro delas em cidades de Minas. E uma dessas cidade foi Betim.
Dá para saber como foi essa infecção?
Não temos dados específicos sobre o paciente. A única informação que tivemos ao analisarmos as amostras é do local onde elas foram coletadas, da cidade. Por isso, não sabemos se são pessoas que viajaram ou se trata de transmissão local.
Estudos mostram que essa variante do coronavírus é mais transmissível. Ela seria também mais letal?
Não há indícios de ela ser mais letal até o momento. A letalidade tem mais a ver com a resposta do organismo do indivíduo à infecção do vírus. A gente sabe que essa variante começou a ter os primeiros casos em dezembro do ano passado e, dois meses depois, passou a ser a maioria dos casos no Reino Unido. Isso mostra que a transmissão dela é mais rápida e alta. Daí, a importância de reforçar ainda mais as medidas de prevenção, pois ainda não temos dimensão de como estaria a circulação dessas variantes na população.
E quanto às vacinas, há algum problema de elas não funcionarem contra essa variante?
As vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil mostram que elas são eficazes contra essa mutação britânica do vírus.