Polícia abre inquérito para apurar assédio sexual de professores em Betim | O TEMPO Betim
 
Denúncia

Polícia abre inquérito para apurar assédio sexual de professores em Betim

Estudantes de medicina veterinária da PUC Betim relatam ter sido vítimas de ao menos quatro professores e cobram providências de conselho regional e da universidade

Publicado em 25 de novembro de 2022 | 19:42

 
 
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A Polícia Civil de Minas Gerais abriu um inquérito para apurar denúncias feitas por alunas do curso de medicina veterinária da unidade da PUC Minas em Betim, na região metropolitana, sobre supostos assédios sexuais sofridos por elas. Os abusos teriam sido cometidos por professores dentro das dependências da instituição.

O caso, denunciado pelo jornal O Tempo no último dia 16,  tramita na Delegacia Especializada em Investigação da Violência Sexual de Belo Horizonte. Conforme a corporação, por se tratar de crime contra a dignidade sexual, a investigação está sob sigilo. 

Segundo denúncias anteriores feitas à reportagem pelas alunas, elas estariam sofrendo desde propostas indecorosas até toques não autorizados dos professores.

“Há ocasiões em que eles se aproximam dando desculpas de que estão ajustando instrumentos, como estetoscópios e jalecos, para tocarem a gente. Isso é mais comum de acontecer na fase final dos períodos, já que é quando estamos mais ávidos por estágios. Eles usam esse nosso momento de fragilidade para tentar obter vantagens”, conta uma estudante, que pediu anonimato. 

Já em uma mensagem de texto recebida pela reportagem, houve a denúncia de que "os professores mandam mensagens provocadoras para as alunas, chegam a tocar nelas nas aulas práticas, puxam assuntos com conotação sexual por mensagens de texto e ficam oferecendo estágios e oportunidades de emprego futuras para elas em troca de aceitarem conversar com eles ou acompanhá-los em estágios de campo”, diz uma das denúncias. 

Carta aberta

Nessa quinta-feira (24), as alunas protocolaram também na sede do Conselho Regional de Medicina Veterinária, em BH, uma carta aberta em que cobram da instituição providências contra as denúncias feitas por elas sobre supostos assédios. 

No documento, que  foi publicado nas redes sociais, as estudantes exigem que o conselho "tome medidas imediatas e urgentes para garantir a segurança, o respeito e o tratamento digno a todas as médicas e acadêmicas da área de veterinária". 

As alunas pedem ainda que seja instaurada uma investigação e que campanhas socieducativas sejam realizadas por parte da entidade para que haja mudança no tratamento com as médicas veterinárias, o qual, conforme elas, é permeado "de atitudes de abuso, assédio e desqualificação das mulheres em formação acadêmica e das que concluíram o curso".

Posicionamento

Por meio de nota, a PUC Minas declarou que vem acompanhando o caso e salientou que, desde que foi informada sobre o assunto, tomou todas as providências cabíveis. A instituição de ensino destacou também que aguarda o desenrolar das medidas adotadas.

A reportagem entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina Veterinária e aguarda retorno.

Com Thailor Gonçalves