Nesta segunda-feira (4), a Polícia Civil divulgou a conclusão do inquérito que apurava o assassinato do empresário Felipe Bessa Silva, de 38 anos, em 1º de abril de 2021, na região Central de Betim, na Grande BH. De acordo com as investigações, o mandante principal do crime é Ricardo Henrique de Almeida, de 45 anos, sócio e amigo da vítima. Além dele, mais três pessoas participaram da ação. Dos envolvidos, um morreu dias após o crime, um foi preso e dois seguem foragidos.
“Eles tinham uma sociedade, faziam fretamento de cargas. O Ricardo tinha uma dívida, de em torno de R$ 80 mil, com o Felipe, de abastecimento de veículo em um posto de combustível. Então, para deixar de pagar essa dívida e para ficar com os caminhões, ele mandou matar o Felipe”, detalha Otávio Luiz de Carvalho, delegado de Homicídios de Betim.
De acordo com informações do inquérito, 17 dias após a morte da vítima, a polícia foi informada de que um homem teria sido assassinado, em Itatiaiuçu, na região metropolitana, por estar “espalhando” na cidade que teria matado um empresário em Betim. “Foi queima de arquivo. Ele estava falando demais, se vangloriando. Chegou a fazer postagens em redes sociais, comentando com várias pessoas sobre seu feito”, conta o delegado.
O homem executado era Cleiton Pereira, de 25 anos, e em seu celular foram encontrados vários vídeos, áudios e fotos que possibilitaram identificá-lo como o autor do assassinato do empresário. “Ele fez uma foto, minutos antes de cometer o crime, em que é possível ver o Felipe ao fundo, e enviou para um homem, identificado como Baiano, pedindo que ele confirmasse se aquele seria o homem que deveria ser morto”, relata o policial.
Segundo a corporação, no celular também havia várias fotos e vídeos que o homem teria enviado para o comparsa após o crime. Em uma delas, Cleiton mostra o local em que estava escondido aguardando Wellington dos Santos, o Baiano, buscá-lo. “Com todas essas informações, nós conseguimos chegar até o Baiano, que confessou o crime e contou que o mandante do crime se chamava Ricardo”, completa.
Entenda como tudo aconteceu:
Dois dias antes da execução, Ricardo Henrique de Almeida e o amigo Diego Ernane Fonseca, de 34 anos, foram até Itatiaiuçu para contratar os executores do crime.
Segundo a polícia, Diego foi até a casa de Baiano para contratar o trabalho. Pra chegar até o local, ele utilizou uma Strada branca, que pertencia ao amigo. Enquanto isso, Ricardo, que também estava na cidade, no mesmo horário, ligou para a vítima.
“Na rua tinha uma câmera, em frente ao portão da casa do Baiano. Com essas imagens, nós conseguimos identificar a placa do veículo e fazer a ligação com o Ricardo. Na filmagem, é possível ver o Diego descendo do carro e fazendo toda a negociação”, conta o delegado.
Segundo a Polícia Civil, no dia 1º de abril de 2021, Baiano, em um Corsa verde, levou Cleiton até os arredores do estabelecimento de Felipe, na rua do Rosário, em Betim, e retornou logo depois para Itatiaiuçu. Após a confirmação de quem era a vítima, por volta das 10h, Cleiton foi até o estabelecimento do empresário e, por uma grade, deu três tiros nas costas da vítima e fugiu andando para uma mata no bairro Guarujá. Baiano, então, voltou para Betim, já na parte da tarde, e deu fuga para o executor.
Sócio e “amigo”
A reportagem conversou com a viúva da vítima, que preferiu não se identificar, mas contou que Ricardo frequentava a sua residência e que já teria ido, inclusive, à festa do filho do casal. Ainda de acordo com a mulher, o homem teve uma conduta suspeita no dia do crime.
“Quando tudo aconteceu, eu saí com meu marido correndo para o hospital, e ele chegou lá com vida. Poucos minutos depois, Ricardo ligou para meu telefone, e uma amiga que atendeu. Ele disse que tinha ficado sabendo o que tinha acontecido com o Felipe e perguntou se iríamos precisar de doações de sangue”, detalha.
Ajuda da população
Os três envolvidos no crime, que estão vivos, foram indiciados por homicídio duplamente qualificado e por motivo torpe. A pena prevista varia de 12 a 30 anos. Baiano foi preso no dia 21 de julho de 2021, e Ricardo e Diego estão foragidos. A Polícia Civil pede que quem tiver informações sobre os suspeitos que ligue para o 181.