Lavinia e Pedro, alunos do IFMG Betim, assim como José Victor e Lívia, do Colégio Santa Maria, explicam como foi a preparação para encarar o exame neste ano
Foto: Brandon Santos
Lavinia e Pedro, alunos do IFMG Betim, assim como José Victor e Lívia, do Colégio Santa Maria, explicam como foi a preparação para encarar o exame neste ano
Foto: Brandon Santos
A menos de duas semanas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, estudantes de Betim dividem a rotina entre aulas, revisões, simulados e a expectativa de conquistar uma vaga no ensino superior. Com provas marcadas para os domingos 8 e 15 de novembro, escolas da cidade intensificam o acompanhamento dos candidatos. No Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) e no Colégio Santa Maria, projetos de preparação buscam desenvolver não apenas o domínio dos conteúdos, mas também a capacidade de administrar o tempo e controlar a ansiedade.
No IFMG Betim, no bairro Laranjeiras, a professora de Matemática Nádia Helena Braga criou, em parceria com outros docentes, o projeto “Resolvendo as questões do Enem”. Entre maio e setembro, estudantes participaram de encontros às quartas-feiras, com aulas alternadas de Matemática e Química, resolução de provas anteriores e esclarecimento de dúvidas. “Nós sabemos que temos muitos alunos carentes, que não têm condições de pagar um cursinho, se preparar de outra forma a não ser na escola”, explica Nádia. A professora pretende ampliar a iniciativa nos próximos anos. “A gente quer manter esse projeto por outros anos, ajudando esses alunos a terem sucesso no Enem, a conseguirem ir para um ensino superior com mais facilidade, concorrendo na mesma altura que os outros alunos”, afirma.
Para Pedro Henrique Lemos Araújo, de 17 anos, aluno do terceiro ano, a experiência ajudou a aperfeiçoar a resolução das questões. “Foi muito proveitoso, principalmente porque, mesmo eu já tendo uma facilidade um pouquinho maior com matemática, mesmo assim me ajudou muito”, conta. Com uma rotina de até 11 horas diárias de estudos, incluindo as aulas regulares, ele reconhece o peso emocional da proximidade do exame. “Eu sempre fui muito ansioso, ainda mais para a prova. Mas é muito bom quando a gente tem os amigos, família e os próprios professores ajudando a gente nessa reta final”, relata.
A colega Lavinia Cardoso Bessa, de 18 anos, também aproveitou as atividades para reforçar disciplinas nas quais encontra mais dificuldades. Interessada em cursar Direito na UFMG, ela dedica, em média, de quatro a cinco horas diárias aos estudos, chegando a oito horas nos fins de semana. “A gente aqui na escola acaba não tendo muito tempo para estudar por fora por causa do curso técnico. Então a quarta-feira à tarde que a gente tem, ela é muito importante”, destaca. Apesar da rotina intensa, procura reservar momentos para a família e o lazer. “É importante que o vestibulando tenha esse tempo para descontrair, para se acalmar, porque a ansiedade faz parte da prova, mas ela não pode te atrapalhar no processo”, avalia.
No Colégio Santa Maria Minas – Unidade Betim, no bairro Angola, o trabalho começa ainda no nono ano do ensino fundamental e se intensifica durante o ensino médio. Segundo a coordenadora de formação Danielle Lima Damasceno, cerca de 85 estudantes devem fazer o Enem neste ano. Além dos simulados e das aulas regulares, a escola oferece curso preparatório e acompanhamento emocional e espiritual. “Essa preparação é fundamental porque eles lidam com o desconhecido de forma mais normal, mais equilibrada. O medo é uma emoção natural, mas eles vão lidar com isso de uma forma bem tranquila”, explica. Segundo Danielle, os simulados também procuram reproduzir as condições reais do exame, ajudando os estudantes a administrar o tempo e a pressão durante as provas.
A preparação para o Enem vai além dos conteúdos e das técnicas de prova. “Trata-se de formar jovens capazes de enfrentar desafios com confiança, autonomia e propósito, em sintonia com a visão institucional de ser referência na formação de pessoas, competentes e comprometidas com a transformação da sociedade”, completa a educadora.
Aos 17 anos, José Victor Teixeira Machado sonha em cursar Engenharia da Computação na UFMG. Ele fará o exame pela segunda vez, sendo a primeira realizada como treineiro. Além das atividades escolares, dedica as tardes aos estudos e, à noite, se prepara para os vestibulares. Para melhorar o desempenho, costuma imprimir provas anteriores e cronometrar a resolução das questões. “Eu gosto de cronometrar para conseguir controlar o meu tempo e ver se eu estou indo bem”, explica. Mesmo com a rotina intensa, procura reservar os fins de semana para jogar futebol e estar com a família. “Estou bem ansioso, mas estou me preparando bastante para conseguir ter um resultado positivo”, afirma.
Já Lívia Maria Pereira Pinheiro, também de 17 anos, fará o exame pela terceira vez, após duas participações como treineira. Indecisa entre Direito e Engenharia de Minas, ela destaca a importância dos simulados para ganhar experiência. “Eu acho que é muito importante a gente fazer, principalmente por uma questão de controle de tempo, a gente se acostuma. E acaba que vai ficando muito mais fácil”, explica. Para lidar com a ansiedade, a estudante procura manter atividades de lazer e momentos com a família. “Eu não me privo de sair ou encontrar com a minha família, ou sair para jogar alguma coisa. Eu não me privo de nada”, conta. Aos colegas que enfrentam a mesma pressão, deixa um conselho: “Independentemente do que acontecer, você não tem que se culpar se você não tirar a nota que você está esperando. E você sempre pode tentar de novo”.
O primeiro dia do Enem será em 8 de novembro, com provas de Linguagens, Ciências Humanas e Redação. No segundo domingo, 15 de novembro, serão aplicadas as provas de Matemática e Ciências da Natureza. Nos dois dias, os portões abrem às 12h e fecham às 13h, as provas começam às 13h30, pelo horário de Brasília.
Os participantes devem consultar o local de prova na Página do Participante, apresentar documento oficial de identificação com foto e levar caneta esferográfica preta de material transparente. O exame terá 180 questões objetivas e uma redação.
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