Cadela Pretinha teria sido vítima de envenenamento no condomínio Gentileza e não resistiu
Foto: Carolina Miranda
Cadela Pretinha teria sido vítima de envenenamento no condomínio Gentileza e não resistiu
Foto: Carolina Miranda
Na mesma semana em que o O TEMPO Betim mostrou denúncias sobre a mortandade de gatos no bairro Cidade Verde, moradores do Condomínio Residencial Quintas da Gentileza, na região de Vianópolis, relataram à reportagem casos de suspeita de envenenamento de cães. Na última quarta-feira (22/4), a protetora animal independente Silmary de Assis foi acionada por um morador que denunciou ameaças. “Ele disse que um rapaz falou no grupo [de WhatsApp] do condomínio que ia envenenar os cachorros e que seriam muitos”, conta Silmary.
A mensagem teria sido apagada, mas, no mesmo dia, um cão apresentou sintomas de intoxicação e está internado desde então. Já na quinta (23/4), Silmary foi procurada novamente pelo morador, que relatou que a cadela Pretinha também teria sido envenenada e não resistiu. Uma equipe da Secretaria Adjunta de Proteção Animal (Sepa) esteve no condomínio e recolheu o corpo da fêmea sem raça definida para que ele seja submetido a uma necropsia. "Nós atuamos durante o fato. Então, se o animal estiver em uma situação de maus-tratos, conseguimos agir. Nesse caso, como ele veio a óbito, cabe à Polícia Civil atuar na parte investigativa", explicou o veterinário da pasta Matheus Eduardo.
A protetora Silmary ressaltou a importância de as pessoas denunciarem casos de maus-tratos contra animais. "Muita gente culpa o município, a Sepa e até os protetores, mas não formalizam a denúncia, não procuram a polícia". Sobre os episódios no Gentileza, ela foi enfática: "Quero avisar ao pessoal do condomínio que nós estamos de olho. O síndico vai nos ajudar. Provavelmente, tem câmeras aqui, e o pessoal vai descobrir quem está fazendo isso".
Moradora do condomínio e tutora de quatro cães, a arquiteta e urbanista Vânia da Silva revelou que está muito preocupada com a situação. "Eu sou mãe de pet. Nosso condomínio é rural e tem várias chácaras com cachorros. Eu realmente tenho essa preocupação", disse. "A gente ouve e lê em alguns grupos moradores se queixando da presença de cachorros. Além disso, tem muitos visitantes que abandonam animais aqui dentro", acrescentou Vânia.
A professora Sandra Mara, também moradora do Gentileza, tem dois gatos e um cachorro e ficou surpresa ao tomar conhecimento das suspeitas de envenenamento no residencial. "Que eu saiba, é a primeira vez que acontece isso. Estou chegando agora do serviço e ouvi os comentários, mas não estava a par do ocorrido", frisou. Sem conter as lágrimas, ela completou: "Eu fiquei assustada e me emociono ao falar disso porque é um crime".
No caso da estudante de medicina veterinária Anna Laura Fernandes, a perde de animais de estimação no condomínio já foi sentida na pele. "É muito triste ver isso. É uma crueldade, sobretudo por ocorrer em uma área rural. Já aconteceu comigo de gatos fugirem e acabarem sendo mortos por atropelamento ou envenenamento", contou.
Em nota, a administração do condomínio informou que "aguarda o encaminhamento das informações por e-mail, com os devidos apontamentos, indícios, fotos e demais elementos de materialidade, para garantir o sigilo e a oficialidade necessários à apuração dos fatos".
Ainda de acordo com o texto, "por se tratar de um fato grave, que exige apuração responsável e cuidadosa, é fundamental que os elementos sejam encaminhados de forma oficial para viabilizar a abertura de sindicância interna".
A administração afirmou também que, se for o caso, adotará as medidas administrativas e judiciais cabíveis, "sempre na linha da defesa e da proteção dos animais".