Cerca de 50 famílias indígenas – aproximadamente 280 pessoas – vivem na ocupação, na região do PTB, chamada Terra Mãe
Foto: Carolina Miranda
Cerca de 50 famílias indígenas – aproximadamente 280 pessoas – vivem na ocupação, na região do PTB, chamada Terra Mãe
Foto: Carolina Miranda
A Prefeitura de Betim confirmou nesta semana que a comunidade indígena Warao Mãe Terra, localizada na região do PTB, em Betim, vive um surto de varicela (catapora) – a morte de um indígena de 75 anos na semana passada está sob análise da Funed, assim como outros casos notificados.
Segundo a secretária de Saúde, Jaqueline Santana, ações desempenhadas pela pasta na comunidade desde janeiro de 2024 foram intensificadas nos últimos dias devido à identificação de casos de desnutrição e ao surto de varicela na ocupação.
Entre as medidas adotadas estão visitas às moradias, cadastramento dos moradores, levantamento das principais demandas de saúde, designação de agentes comunitários de referência e fortalecimento da busca ativa.
O município declarou ainda que também foram realizados acompanhamento nutricional de crianças e adolescentes, atualização da vacinação com apoio do Vacimóvel, bloqueio vacinal para conter a circulação da varicela, testagem rápida para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), orientações sobre saúde sexual e reprodutiva, distribuição de métodos contraceptivos e organização de um fluxo de atendimento facilitado na Unidade Básica de Saúde (UBS) Campos Elíseos.
Na última terça (7/7), a secretaria informou que deu início a um plano operacional com duração de 90 dias, que prevê atendimento diário na comunidade, de segunda a sexta-feira. A iniciativa contempla consultas médicas e de enfermagem, atendimentos programados e acolhimento de demandas espontâneas, com prioridade para crianças, adolescentes, mulheres em idade fértil, gestantes, idosos, pessoas com doenças crônicas, casos de desnutrição e outras situações de maior vulnerabilidade clínica.
“Os atendimentos são registrados no prontuário eletrônico do SUS no mesmo dia, com apoio de notebooks conectados à internet móvel e da estrutura do Centro de Referência de Assistência Social (Cras)”, informou a prefeitura.
A Secretaria de Saúde declarou que instituiu também reuniões semanais entre as equipes da UBS Campos Elíseos, do Consultório na Rua e da equipe multiprofissional para discutir os casos e planejar as ações.
Também foi criado um grupo de discussão voltado à qualificação dos profissionais que atuam no território, com disponibilização de materiais sobre saúde indígena em contexto urbano, comunicação intercultural, migração, proteção comunitária e mediação cultural.
A prefeitura informou ainda que o plano será monitorado semanalmente pela coordenação da Atenção Primária, com acompanhamento de indicadores como número de atendimentos realizados, evolução dos prontuários, vinculação de gestantes ao pré-natal, acompanhamento de crianças com risco nutricional e inserção de pacientes com doenças crônicas na rede de cuidados.
Segundo o Executivo, os relatórios das ações também foram encaminhados ao Ministério Público de Minas Gerais para garantir transparência e permitir o acompanhamento das medidas adotadas.