JUSTIÇA

Sargento acusado de matar mecânico em Betim foi interditado pela mãe e matou pastor com espada

Ele foi diagnosticado com síndrome de burnout, psicose não orgânica, TOC e esquizofrenia paranoide; assassinato ocorreu no Distrito Federal

Por Lucas Gomes


Publicado em 15 de julho de 2026 | 12:05
 
 
Suspeito é acusado de ter matado Carlos Alberto dos Santos, conhecido como Gaiola, no Condomínio Saraiva, no bairro Quintas do Godoy, em Betim

O terceiro-sargento da reserva da Marinha acusado de matar a tiros o vizinho Carlos Alberto dos Santos, de 61 anos, em Betim, foi declarado judicialmente incapaz em 2021, após um pedido feito por sua própria mãe em razão de um diagnóstico de esquizofrenia paranoide. Anos antes, ele já havia sido considerado inimputável pela Justiça depois de matar um pastor com golpes de espada dentro de um ônibus, no Distrito Federal.

A interdição foi decretada pela 1ª Vara de Família, Sucessões e Ausência de Betim, em setembro de 2021, em ação movida pela mãe. Na sentença, o juiz Gustavo Cheik de Figueiredo Teixeira concluiu que o homem era incapaz de praticar sozinho atos da vida civil relacionados à administração de bens e negócios, nomeando a mãe como curadora.

De acordo com o laudo pericial citado na decisão, o homem foi diagnosticado com síndrome de burnout, psicose não orgânica, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e esquizofrenia paranoide, doenças consideradas permanentes. A perícia também apontou que ele sofreu um surto psicótico, foi afastado do trabalho e passou a apresentar alucinações, delírios, desorganização do pensamento e ideias obsessivas.

O documento judicial menciona ainda que o interditado "chegou a cometer um assassinato com um desconhecido na rua", permanecendo preso por cinco anos em razão do crime. Na ação, a perícia e o estudo social apontaram que o sargento era dependente da mãe, considerada sua principal referência de cuidados. O pai concordou com a nomeação da ex-esposa como curadora.

O homicídio citado na sentença ocorreu em 7 de setembro de 2014, em Taguatinga, no Distrito Federal. Segundo o processo, o homem atacou com diversos golpes de uma espada um pastor que viajava de ônibus com seus dois filhos, de 12 e 5 anos. A vítima estava cochilando com a criança menor no colo quando foi surpreendida pelos ataques e morreu no local.

Após fugir, o suspeito foi identificado dias depois ao comparecer espontaneamente a uma delegacia, tentando recuperar uma espada e facas apreendidas pela Polícia Militar.

Durante o interrogatório, ele alternou momentos de lucidez e alucinações. Disse acreditar que estava na Marinha e afirmou que atacou a vítima porque interpretou, de forma delirante, que o homem estaria abusando sexualmente da criança que carregava no colo. Também declarou que apenas queria protegê-la.

Um incidente de insanidade mental concluiu que o acusado sofria de esquizofrenia e alienação mental e era inteiramente incapaz de compreender o caráter ilícito da conduta. Em 2016, o Tribunal do Júri de Taguatinga o absolveu por inimputabilidade e determinou sua internação em hospital de custódia como medida de segurança por no máximo três anos.

Crime em Betim

Nessa terça-feira (14/7), o sargento da reserva voltou a ser preso após matar o vizinho Carlos Alberto dos Santos, conhecido como "Gaiola", no Condomínio Saraiva, no bairro Quintas do Godoy, em Betim.

Imagens de câmeras de segurança mostram o mecânico chegando em casa, descendo do carro e iniciando uma discussão com o vizinho. Em seguida, ele é atingido por cinco disparos. Após o crime, foi o próprio autor quem acionou a Polícia Militar.

Carlos Alberto chegou a ser socorrido ao Hospital Regional de Betim, mas morreu em decorrência dos ferimentos. Até o momento, a motivação do homicídio não foi esclarecida. A Marinha do Brasil ainda não se pronunciou sobre o caso.

Com Daniele Marzano