DISCUSSÃO

Grupo de moradores não indígenas da Ocupação Terra Mãe se reúne com representantes do município

Eles temem que as famílias sejam retiradas do terreno após reassentamento dos indígenas

Por Iêva Tatiana


Publicado em 03 de julho de 2026 | 08:56
 
 
Reunião ocorreu no gabinete do procurador-geral

Representantes do Executivo betinense e da ocupação Terra Mãe estiveram reunidos na sede da prefeitura, nessa quinta (2), após uma manifestação no estacionamento do Centro Administrativo Papa João Paulo II.

Durante cerca de uma hora, um grupo de moradores que não faz parte da comunidade Warao apresentou suas principais reivindicações e falou sobre o temor de que todas as famílias sejam retiradas do terreno após o reassentamento dos indígenas, acordado com o município na semana passada.

Atualmente, cerca de 780 pessoas vivem na ocupação, sendo 500 delas não indígenas, segundo o grupo recebido pelo procurador-geral do município, Joab Costa, e por secretários de pastas como Segurança Pública e Habitação, além da Guarda Municipal e da Ecos. 

Na reunião, os moradores pediram que a coleta de resíduos seja feita com mais frequência na localidade, assim como a limpeza das fossas sépticas. Também solicitaram a criação de dois pontos de ônibus e a indicação de um representante para integrar o Comitê da Comunidade Indígena Warao.

De acordo com Costa, foi reforçado para os moradores que o terreno é particular e que a discussão sobre a posse encontra-se em litígio (processo em que um conflito de interesse é levado ao Poder Judiciário para que o juiz analise os fatos e tome uma decisão sobre qual lado tem razão).

“Vamos criar uma comissão para buscar uma solução pra situação envolvendo o proprietário do terreno e os órgãos públicos competentes”, adiantou o procurador-geral.

Ainda segundo Costa, inicialmente, estava prevista uma reunião entre caciques dos indígenas e a equipe de engenharia do município nessa quinta para tratar de pequenas alterações no projeto da Vila Warao, mas eles pediram que o encontro fosse adiado para a próxima semana porque ainda estão em luto pela morte do indígena de 75 anos