
Um idoso de 75 anos, pertencente à comunidade indígena venezuelana da etnia Warao, morreu na terça-feira (30). A informação foi confirmada pela Prefeitura de Betim, por meio de nota. De acordo com o Executivo municipal, o idoso deu entrada no Hospital Regional no dia 18 de junho com doença renal crônica e peritonite. Nessa quinta-feira (2), uma fonte da prefeitura informou que o idoso também tinha sífilis. O quadro delicado de saúde evoluiu para choque séptico, provocando o óbito.
Ainda segundo a prefeitura, atualmente, nove pacientes indígenas da comunidade Terra Mãe, localizada no PTB, encontram-se internados na rede pública. Quatro deles também estão no Hospital Regional. Já os outros cinco pacientes estão internados no Centro Materno-Infantil (CMI), sendo uma gestante e duas puérperas acompanhadas de seus recém-nascidos. O estado de saúde deles não foi divulgado.
Desde o início do ano passado, quatro óbitos foram registrados na comunidade Warao. Além do idoso que faleceu nesta semana, uma bebê de 1 ano e 4 meses morreu no fim de maio último em decorrência de desnutrição e desidratação severas. A menina vivia com a família na ocupação Terra Mãe, e, de acordo com o Executivo, teria chegado ao assentamento havia cerca de um mês. Ela ainda não tinha sido identificada nem vinculada pela equipe de saúde às ações de cadastramento e monitoramento realizadas no território. A criança chegou a ser encaminhada para o CMI no dia 25 daquele mês, mas veio a óbito três dias depois.
Em julho do ano passado, uma adolescente de 12 anos morreu com complicações na gestação. A gravidez foi descoberta tardiamente, e a menina chegou ao CMI em estado grave. Ela foi submetida a um parto de emergência com 32 semanas de gestação, mas não resistiu. O bebê sobreviveu.
Também em 2025, um bebê de 4 meses morreu com síndrome respiratória aguda grave em janeiro. Inicialmente, houve a suspeita de que ele tivesse coqueluche, mas exames realizados pela Vigilância Epidemiológica descartaram a doença e apontaram resultado positivo para influenza B, adenovírus e rinovírus.
No início de junho deste ano, a Prefeitura de Betim decretou situação de emergência pública em razão do estado de vulnerabilidade social do povo Warao. Com a medida, que permite contratações e aquisições sem licitação para ajudar a comunidade, o Executivo municipal começou a adotar ações emergenciais no local, abrangendo as áreas de assistência social, saúde, educação, habitação, segurança alimentar e proteção social.
Outra medida que está em andamento é a transferência dos indígenas que vivem na ocupação para uma nova área, a Vila Warao, em local ainda não informado. A proposta da prefeitura foi aprovada por unanimidade em audiência pública na semana passada.