PUNIÇÃO

Estado autuará responsável por vazar óleo e gerar morte de peixes em lago de Betim

Caso veio à tona após uma denúncia; material atingiu solo e lago de um imóvel

Por Lisley Alvarenga

Publicado em 25 de setembro de 2026 | 09:31

 
 
Peixes mortos foram achados mortos; policiais encontraram um vazamento de óleo na tubulação de uma fábrica de peças automotivas próxima Peixes mortos foram achados mortos; policiais encontraram um vazamento de óleo na tubulação de uma fábrica de peças automotivas próxima Foto: Brandon Santos

Um vazamento de óleo atingiu o solo, chegou a um curso d’água em um imóvel na rua Rio de Janeiro, no bairro Imbiruçu, em Betim, e gerou a mortandade de peixes no manancial. O caso ocorreu no último domingo (20). O Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou que a empresa responsável pela contaminação será autuada por causar dano ambiental, com agravante por atingir área de terceiros, e por não comunicar ao NEA o acidente. 

“Durante as ações, foi confirmada a mortandade de peixes em um tanque de criação e estabelecido o vínculo da ocorrência com o responsável identificado. Foram adotadas medidas emergenciais imediatas, e as demais ações necessárias à remediação dos danos ambientais estão em andamento. O auto de infração está em andamento”, informou a Semad nessa quinta (24) em nota.

A caso veio à tona após uma denúncia. A Polícia Militar de Meio Ambiente foi chamada para verificar a contaminação. No imóvel afetado, os militares encontraram o óleo espalhado pelo solo e chegando ao curso d’água. 

Os policiais de Meio Ambiente e uma equipe da Semad que já estava no local no momento da chegada da policia foram até uma empresa produtora de peças automotivas que fica localizada logo acima do ponto em que ocorreu a contaminação. Os policiais declararam ter encontrado no empreendimento um vazamento vindo de uma tubulação parcialmente escondida.

Segundo o boletim de ocorrência, o líquido era levado para uma estrutura usada para escoar a água da chuva e tinha características semelhantes às do material encontrado no solo e na água. 

O responsável pela empresa mostrou aos policiais e à equipe da Semad a Estação de Tratamento de Efluente Industrial em funcionamento na fábrica e declarou aos militares que o empreendimento utiliza água de poço artesiano.

Depois do ocorrido, a Polícia Civil também foi acionada para investigar se houve crime ambiental, e peritos recolheram peixes mortos e cinco amostras de água, que foram retiradas de diferentes pontos do curso d’água. As amostras foram enviadas para avaliação, mas o laudo ainda não foi concluído.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (CBH Paraopeba) também acompanha o caso e coletou amostras da água contaminada pelo óleo. “O lançamento irregular de efluentes e a contaminação dos corpos d’água ameaçam a biodiversidade, a qualidade da água e a segurança hídrica de toda a região do Paraopeba”, ponderou o presidente do comitê, Heleno Maia. 

Paraopeba teve morte de peixes em 2025

Em setembro de 2025, cerca de 6.000 peixes foram encontrados mortos por moradores no encontro do Rio Betim e do Rio Paraopeba. A presença de amônia nas águas, associada à redução dos níveis de oxigênio, foi apontada como a principal causa da mortandade, conforme apontou laudo técnico divulgado um mês depois pelo Comitê da Bacia do Rio Paraopeba (CBH).

No documento, o comitê revelou que a contaminação gerou um impacto agudo no ecossistema aquático, atingindo até espécies conhecidas por sua resistência à poluição, como cascudos, surubins e pacamãs.

Os peixes analisados apresentavam hemorragias nas brânquias e lesões internas, indícios de intoxicação aguda. Segundo o levantamento, os compostos tóxicos — especialmente amônia e derivados nitrogenados — teriam sido despejados nas águas na altura do Distrito Industrial de Juatuba. A Prefeitura de Juatuba não se manifestou sobre o laudo.